Revista do GEL e tecnodiversidade

Em dezembro, tive a boa notícia de um ensaio publicado na Revista do GEL, o Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo. O trabalho é desdobramento de uma mesa-redonda da qual participei em 2024, quando o evento do GEL foi na Unicamp. O convite me honrou muito, na época, quando dividi o espaço com a querida colega Márcia Mendonça, mediadas pela Jacqueline Barbosa, ambas da Unicamp. Dali, foi importante escrever e submeter à revista, que preparava uma espécie de número especial derivado do encontro.

O texto publicado é um ensaio, isto é, fiz especulações mais livres, com base na leitura de alguns autores e no que argumentei sobre a relação entre multiletramentos, tecnodiversidade e o ensino de língua materna. Aliás, toco na noção de diversidade para discutir questões que estão em foco hoje. Tudo com aquele toque de “conversa” que gosto de imprimir aos textos.

Embora esta publicação saia em uma revista muito boa (o link dela inteira está aqui), é difícil que um artigo/ensaio seja visto e lido, no meio de tanta oferta, não é mesmo? Mas vamos lá continuar dizendo o que acreditamos que vale a pena ser dito. Aqui o link para o artigo direto.

Caladinha

Como algumas pessoas sabem, minha conta do Instagram ficou restrita por mais de duas semanas, do Natal de 2025 ao início de janeiro de 2026. Do mesmo jeito que foi, voltou. E fiquei sem entender nada. Não estava sozinha. Soube de várias pessoas – todas escritoras e/ou professoras – na mesma situação misteriosa. Alguns chamaram de shadowban, quando a gente é banida na sombra, sem lealdade ou explicação. De fato, de repente, fui impedida de postar, tanto no feed quanto nos stories, e também não conseguia seguir ninguém. No conversê revoltado e perplexo entre os excluídos, descobrimos algumas brechas curiosas: era possível postar stories via Facebook; e dava para aceitar collab de alguém no feed. Fiz isso uma ou outra vez. Quando já ia criar uma conta nova para colaborar comigo mesma, eis que o Insta volta. Poxa… Sem explicações. Um colega disse que o dele voltou quando ele excluiu o link do Linktree. Fiz o mesmo e a coincidência também rolou. Coincidência? Espalhei isso para algumas pessoas… Funcionou. Vai saber… O negócio é que deixei de compartilhar textos, trabalhos, eventos, etc. Minhas visualizações mensais foram a 1/4 do que eram. E para recuperar? Meu uso do Instagram é 80% profissional. Só de vez em quando posto algo pessoal, até porque ninguém é de ferro e o pessoal também gosta de uma fofoca. Mas geralmente divulgo coisas do mundo do trabalho para quem está ligado nas questões de leitura, escrita, edição, docência. Foi osso ficar sem esse canal. Fica aqui o link de um dos textos que não consegui divulgar: minha crônica de dezembro no Rascunho.

115 anos do CEFET-MG

O Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais pode estar com os dias contados! Não, não é bem o que você está pensando. É que há vinte anos ele reivindica, com justiça, sua transformação em Universidade Tecnológica Federal (UTF), e pode ser que isso aconteça em breve. Fico na torcida. Será importante para uma instituição que já não cabe em seu estado atual, e faz tempo.

O então presidente JK em discurso na nova sede da Escola Técnica, em 1958.

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) prestou uma justa homenagem aos 115 anos do CEFET-MG, numa sessão solene bem bonita, conduzida pela deputada Lohanna (PV). Vale assistir à gravação para ter melhor noção de que instituição é essa, como ela vem se transformando ao longo de mais de um século (quantas no país têm essa idade e com excelência?), acompanhando a sociedade em que se insere vivamente e sendo conduzida e dinamizada por um corpo de servidores e alunos empenhado. É emocionante.

Panorâmica do campus Nova Suíça (I), sede do CEFET-MG hoje
(um de seus 11 campi em Minas Gerais).

Para assistir à sessão de homenagem, ver aqui.

Para saber sobre a sessão, aqui.

Para saber sobre a transformação em Universidade Tecnológica Federal, ver aqui.

Lançamentos, mediações e livros

Novembro tem sido e continuará sendo um mês de muitas atividades. Final de ano é sempre meio caótico, não? Como lidar? Lançamentos de livros (os últimos do ano, meu e de colegas), mediações, finalizações e alguns eventos já no apagar das luzes. Tem SimLer e acabou de ter participação no Fórum das Letras de Ouro Preto, ao qual eu não ia fazia tempo. Como gosto dessa cidade!

Lançamentos de livros na Outras Palavras Livraria, na manhã de sábado, 8 de novembro, às 10h30, com o editor Rauer e a escritora Luísa Coelho.

Dois lançamentos de colegas se anunciam: o da Gabriela Romeu com a Flávia Bomfim, pela Peirópolis, em São Paulo, e o do Leonardo Piana, pela Autêntica Contemporânea, em BH. Todos presenciais e em belas livrarias.

O finalzinho do mês será de conferência no SimLer e ufa! Tudo feito com amor <3.

SimLer

Novembro chegou. Com ele, vem o SimLer, um dos eventos acadêmicos mais acolhedores e afetuosos que eu conheço, além, claro, do quão interessante é. A notícia oficial está aqui.

O SimLer chega à sua quinta edição com a possibilidade do encontro presencial, em Teresina, PI. A concepção e a organização são da turma da UFPI, lideradas pela profa. Maria Angélica Freire de Carvalho. O CEFET-MG é e sempre foi parceiro de organização, envolvendo não apenas professores, mas também estudantes de graduação e pós-graduação, em diversas atividades e papéis. Tem sido uma alegria esperar pela viagem ao Piauí, estado que eu adoro, para dar uma conferência de encerramento que me deixa honrada (e com frio na barriga). O tema será A leitura em tempos de IA, algo que tem sido recorrente quando me chamam para falar por aí. Não tem como escapar, né?

Além da fala final do SimLer, vou lançar o livro Escrever e ensinar a escrever. Espero que ele chegue às mãos de muitos/as colegas.

Seminário Nacional de Ensino de Linguagens – SENAEL

Uma conferência é sempre uma responsabilidade enorme. E se for de abertura ou de encerramento, aí é que o frio na barriga vem mesmo. A despeito da experiência que vamos construindo, ao longo da carreira, esses eventos sempre podem nos surpreender. É sempre importante estudar para eles, cuidar do que dizer e ter atenção ao público que possivelmente estará ali, geralmente muito disposto a ouvir e a conversar. E eu gosto muito é da conversa.

Em outubro, fui palestrante no Senael, on-line, para mais de 200 pessoas. É muito gratificante, claro, e também bastante desafiador. O tema era relevante e, também, ainda um tanto desconhecido: a inteligência artificial e suas implicações para a educação. Não é mesmo um desafio?

A conversa ficou disponível no YouTube da instituição. É só clicar.

Outubro, Molla etc.

Das atividades de outubro, certamente a visita das professoras Jenny Guerra (México) e Camila Escudero (Equador) e a Molla (dentro do FliBH) foram as mais intensas. Tivemos visita de editores, professores e muita conversa boa. Como diz meu amigo Nathan Matos, editor da Moinhos: isso reenergiza.

CEFET-MG
Inhotim

No início do mês, Jenny e Camila estiveram no CEFET-MG para palestras e aulas, tanto na graduação em Letras, quanto na pós-graduação em Estudos de Linguagens. Não faltaram também atividades culturais, visitas a museus e centros de gastronomia mineira. Essa visita certamente fortaleceu nossos laços de colaboração profissional e de amizade. Importante salientar a conexão entre CEFET-MG e Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) por meio do Seminário Indústria da Informação Digital (SIID).

Mesa na Molla/FliBH
Com Luciana Tanure

No final do mês, realizamos a Mostra do Livro Latino-americano (MOLLA) dentro das atividades do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FliBH), parceria muito produtiva. Fiz parte da equipe de curadores da MOLLA, encabeçada pela Luciana Tanure. Oferecemos mesas, palestras, contações de histórias, feira de livro e muito mais. Cansa? Cansa. Mas também gratifica muito. Foi a culminância de um trabalho de muitos meses. A programação pode ser vista aqui.

No meio disso, lancei o livro Escrever e ensinar a escrever (Editora da Unimontes), que começa a circular por aí e me dá alegria. O pdf em acesso aberto fica aqui, e a versão impressa chegará às mãos de algumas centenas de pessoas. Torço para que gostem do trabalho.

Lançamento no FliBH.

Novembro também promete!

Escrever e ensinar a escrever, LANÇAMENTO!

Faz um tempo, eu soube que a Unimontes e sua editora lançariam um edital para livros de divulgação científica, isto é, obras escritas numa linguagem acessível e para públicos mais amplos do que meus pares acadêmicos. Mais ou menos isso.

Juntei um material que andava disperso por aí e editei esse original. Eram textos que publiquei no Blog da Parábola e na Revista Ponte, mas que tinham circulação mais restrita ou esquecida. Ajeitei, organizei, revisei, ampliei… Escrevi mais um texto sobre a tal da IA e o que ela tem causado no ensino de língua materna… Se é que tem… E fui lá concorrer.

O resultado foi a aprovação da proposta. Isso me deixou muito feliz. Tenho enorme carinho pela Unimontes, e a reunião desse material me deixa muito animada e feliz. Melhor ainda: por ter apoio institucional, o livro será distribuído gratuitamente em escolas públicas (uma tiragem inicial) e depois será liberado como pdf de acesso aberto no site da editora. Isso faz qualquer pesquisadora se sentir muito gratificada.

Olha que capa linda!

Sou professora de Redação no ensino médio. Antes disso, sou escritora e sempre fui uma apaixonada pela escrita e pela língua. Formei-me linguista (e não por ter menos amor à literatura) e atuo também em outros níveis de ensino – graduação e pós – justamente orientando pessoas que escrevem. Se não dou aulas disso (às vezes, sim, como as oficinas de criação no bacharelado em Letras do CEFET-MG), a missão de ajudar que pessoas desenvolvam suas escritas atravessa toda a minha atividade profissional.

O livro que lançamos agora é, então, resultado de estudo e empiria. Estou lá, com as duas mãos na massa e o coração ativo, nas salas de aula dos três níveis de ensino. Vamos comigo?

O lançamento de Escrever e ensinar a escrever, um antimanual para docentes, é dia 18 de setembro, pelo canal do YouTube da Editora da Unimontes. O livro tem paratextos de Carla Coscarelli (UFMG) e Marcos Marcionilo (Parábola Editorial). Um luxo só, e ainda ser editada pela Maria Clara Maciel e equipe. Sigamos! Tomara que as pessoas leitoras gostem!

Para assistir:

Notícia na Unimontes.

Pitch para a Fapemig

Desde 2018, o grupo de estudos e pesquisas Mulheres na Edição contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, a Fapemig, como financiadora única do nosso trabalho, em especial nosso projeto de pesquisa que mapeia mulheres que editam em Minas Gerais (e além). Somos um grupo de estudos que começou mais ou menos com a proposta de um clube de leitura: escolheríamos um texto por mês para ler. Os encontros seriam mensais e teríamos condições de comentar nossas leituras e dialogar sobre elas.

Bem, a despeito de toda a forçação para que paremos de estudar e de fazer o que realmente interessa, o fato é que o grupo resiste bravamente e está em atividade até hoje. Ou seja, são aproximadamente sete anos ininterruptos de leituras, mais de 60 textos/encontros e vários aniversários comemorados. As coordenadoras somos eu e as queridas colegas Rosário Pereira e Renata Moreira, ambas do CEFET-MG. É um grupo dedicado e propositivo, que fez e publicou muita coisa nesses anos, além de reunir muita gente (mais de 400 inscritos/as) em torno do tema das mulheres no mercado editorial, de forma pioneira no país. Somos bastante reconhecidas dentro e fora do Brasil e fazemos parte de redes por aí que estão atentas ao nosso trabalho.

Ao finalizar nosso projeto junto à Fapemig, passamos aquele aperto da prestação de contas (porque é burocrático mesmo) e ainda tive de fazer um pitch, que é um vídeo curto que resume bem o que aconteceu no projeto.

Poxa, como foi difícil! O primeiro pitch a gente nunca esquece! Lá vai ele, que não me deixa exatamente orgulhosa pelo visual, mas sim pelo trabalho importante que nosso grupo fez ao longo dos anos.

O negócio do livro, Porto Alegre

Há vários anos que a turma do Clube de Editores do Rio Grande do Sul vem ensaiando me chamar para participar do seminário que eles promovem há vários anos. Confesso minha afinidade com escritores e escritoras gaúchos. O povo é bom mesmo. Para além da turma que anda produzindo prosa e verso da melhor qualidade por lá, é a terra de muitos editores e da oficina de criação literária mais antiga do país, a do prof. Assis Brasil, na PUC RS. Foi lá, aliás, que fiz meu estágio pós-doutoral mais recente, justamente para entender como funciona a oficina e como ela influencia o mercado editorial por lá e por todo canto.

Neste 2025, finalmente, darei uma passada rápida pelo evento “O negócio do livro” e participarei de uma mesa-redonda. Claro que vou tentar assistir a outras que me interessam demais e nas quais vão falar editores e escritores gaúchos.

Fica o convite para quem puder ir (é presencial). As inscrições são pelo Sympla.

Para assistir, tudo aqui:

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Ana Elisa • 2020