Finalmente decidi – e consegui – me juntar ao elenco da Biblioteca Madrinha Lua, coleção da editora Peirópolis da qual sou curadora há vários anos. O Vaga memória é o décimo terceiro título e, provavelmente, não o último dessa sequência de obras de autoria feminina contemporânea brasileira. Para adquiri-lo, é só clicar.
Seguimos nesse azul com projeto da designer Grabriela Araújo e direção geral da admirada Renata Farhat Borges, à frente da casa há algumas décadas e fazendo um trabalho lindo e consciencioso. Como aprendo lá!
O livro é dividido em três partes e reúne poemas escritos exclusivamente para a coleção. Demorei mas vim. Renata sempre cobrou.
Aqui o tom é afetuoso, um misto de ficção e memória, claro. Não se pode acreditar em tudo, nem que eu mesma tenha sido quem viveu as situações, mas muito do que sinto, sou e penso está ali. O filho é real e não é; os pais igualmente. Importante é tratar esse poemário como uma oportunidade de pensar a vida, no que ela tem de morte e ausência também.
O prefácio é da poeta Mariana Ianelli, o posfácio, da Renata, e fico aqui pensando aonde esse livro vai me levar. Ou me deixar. É meu décimo segundo poemário, desde 1997, quando comecei a publicar.
O lançamento 1 foi em Brasília, junto com o Instruções para arquitetos(Moinhos). A notícia trata disso, ó. O segundo lançamento será em São Paulo, terra da editora, na Livraria da Tarde, onde faremos uma tarde feliz. BH ainda não está no horizonte, mas virá.
Poemário novo na área. Foi entregue à editora em resposta às provocações do editor, meu amigo Nathan Matos, que sempre dizia: “Você só não publica poesia comigo!”, naquele sotaque cearense maravilhoso dele. Pois bem. Um dia, terminei uma sequência de poemas escritos em diálogo com Flávia de Queiroz, uma poeta carioca que vive em Belo Horizonte, e mandei para a Moinhos.
Eis aí um conjunto de poemas-conversa. O tempo todo, estou em diálogo com Flávia, tratando da casa, da vida, das pessoas, das ausências, das mudanças. Sim, as mulheres sempre foram “acusadas” de não ter assunto para a literatura. São inúmeras cartas e declarações de escritores mencionando uma escrita “feminina” sinônima de doméstica, intimista, íntima, confessional talvez. E isso não é matéria de poesia, de literatura. E será? E será só isso?
Sem medo, aí estão poemas sobre a casa, sua arquitetura visível e, mais, a invisível, sua habitação, seus espaços e silêncios, as questões que o viver e o morar colocam, se quisermos. Flávia conta das paredes, dos quartos, eu conto de como isso existe e não existe, se colore ou não, diz algo, um discurso sobre a vida de quem habita ou desiste. É mais do que olhar o espaço íntimo sem política.
Mas não vale o que eu mesma falar sobre meu livro. Ou vale. São coisas que pensei ao escrever e depois ao publicar. O editor perguntou sobre o título: por quê? Eu soube explicar, embora tenha demorado a definir por ele. Difícil intitular. E este livro precisava ser mais “frio”, assim como outros que ando escrevendo. Provavelmente para um público minúsculo, embora também importante.
Instruções para arquitetos teve seu primeiro lançamento em Brasília, na livraria Circulares, que promoveu também um curso breve sobre edição literária. Foi um dia bonito, de festa, de reencontros. Tive a oportunidade de falar do livro, ler poemas, abraçar gente querida que encontro pouco, sob a mediação de duas colegas queridas e generosas: Thainá Carvalho e Ludimila Moreira. Sem falar na hospitalidade da Ana Raja.
A matéria do Correio Braziliense deu notícia da minha estada em Brasília, embora tenha levado a sério demais o que a poeta e professora Alícia Duarte Penna diz na orelha: nunca existiu um quarto de costuras na casa da minha avó. Isso é Alícia lendo, ficcionalizando, imaginando… e escrevendo um belo texto de orelha para outra poeta. Curioso isso, não? Efeitos da leitura literária. Poetas fingidoras exitosas.
Para adquirir o IpA, é só ir ao site da Moinhos. Entregas em todo o Brasil. Sei que já está em livrarias aqui e acolá, a tiragem é pequena.
Chegou abril. Outubro, inverno, melhor época do ano. Percebo que começo a me esforçar para não ficar ansiosa. Exercícios de respiração para dormir e para estar no mundo. Evitação de problemas. Estou entusiasmada. A alma quicando no corpo. O corpo não sabe direito o que fazer. Coração agitado, sangue apressado, sono assustado, sede, fome, oscilações. E nem gosto de altos e baixos. É que abril está intenso e as coisas semeadas começam a vingar todas ao mesmo tempo. Efeitos do calendário, inclusive o religioso – além das crises econômicas. Do Natal ao Carnaval não acontece nada, tudo represado. O ano começa em março, por exemplo, e aí tudo se precipita. E quase não aguento. Na maior parte, são alegrias para administrar.
Chegou primeiro o poemário da Moinhos. Meu primeiro lá, depois de livros de crônicas e acadêmicos. Uma provocação do meu amigo e parceiro Nathan Matos. Estamos às voltas com a capa porque a paleta me incomodou, depois de duas tentativas. E com o miolo, porque eu quis ajustar alguns textos. Já havia me esquecido deles. É um livro-conversa. Sério, um pouco nostálgico, humilde, reverente.
Daí a Peirópolis me enviou o livro que escrevi para a Biblioteca Madrinha Lua. Depois de doze títulos, resolvi entrar. A Renata Borges, editora maravilhosa, sempre dizia cadê o seu? E eu achava que não era hora, que não tinha ainda um original pertinente para aquele espaço cheio de homenagens. Finalmente, deu. Um dia, enviei. Foi uma alegria compartilhada. Está lá. Eis que, com algum atraso, a Gabriela, nossa designer, envia a capa e o miolo. No caso da BML, o projeto gráfico é um só, mas mudam as cores. Amei a composição da minha vez. Estou relendo, revendo. É emoção pura o que pus ali. Todo mundo que leu, e é pouca gente, falou de engasgos e lágrimas.
Quando nem espero mais, vem a Impressões de Minas e me envia o outro poemário, capa e miolo. Naquele estilo IM de ser, com facas, cores, dobras. É fascinante. Morri pela terceira vez. Tudo lá, com a secura irônica do que propus para esse poemário. Revi também.
Esquema básico de um livro impresso que podemos desafiar.
Nos três casos, os livros foram enviados às editoras há bastante tempo. Tanto que nem lembro mais direito dos poemas. Releio com distanciamento. Não me arrependo muito. E se me arrependo, sei que faz parte. Ou tiro. Ou repenso. Reescrevo, até. Não faz mal. Três conjuntos bem distintos um do outro. Não sei se a mesma voz. Talvez não. Um mais seco, outro mais conversado e outro puro afeto. Casas diferentes, estilos particulares.
Já começo a agradecer. Além de leitores e leitoras eventuais e segredosos, contei com o posfácio do Leonardo Villa-forte para o da Impressões. Só podia ser ele para falar daquela proposta. Outro tem prefácio da Mariana Ianelli, maga poeta, só ela para ler aquela emoção toda. Posfácio da Renata Borges, que tenta se esquivar, mas não pode, desta vez. E o posfácio da Alícia Duarte Penna, outra arquipoeta que poderia ler meus versos-conversa como ninguém mais. Ela mesma aparece como personagem num poema.
Lançar três livros “de uma vez” vai ser complicado. Nem sei se proporei festas. Pode não ser bom para os livros, para mim, para as editoras… E elas sabem dos meus projetos paralelos. Mas os processos editoriais aconteceram como puderam. Os poemários não foram escritos simultaneamente; nem enviados. Os atrasos os sincronizaram e vai parecer que eu não me contenho, que sou o que chamávamos aqui de “fominha”, na minha tenra adolescência. Não foi. Fiquei uns tempos sem publicar poesia, e eis que ela sai assim aos borbotões. Ao menos são três propostas bem diversas. As poucas pessoas interessadas poderão escolher, vá lá. Não digo ainda os títulos, mas a qualquer hora mostro as capas. Obrigada às editoras que apostam em poesia desde sempre, e se não fosse isso…
A ideia era mirar e acertar na escola. Vamos ver o que acontece. Enquanto isso, as vinte crônicas selecionadas de Roxo calmo, amarelo tranquilo tentam chegar às mãos de leitores e leitoras fora da escola também. O livro foi lançado em junho de 2025 e contará com uma sessão de autógrafos no dia 28 de junho, às 12h30, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em Pinheiros, São Paulo, depois do Rodapé do querido editor, Marcos Marcionilo.
O volume é breve, para ler de uma ou duas sentadas, como se diz. As crônicas foram escolhidas do jornal Rascunho, onde escrevo regularmente, e do Blog da Relicário, onde escrevi por alguns anos. A compra pode ser feita direto na editora.
25 anos se passaram. Mais até. Em 1997, publiquei meu primeiro livro de poemas. O título era Poesinha, assim, bem diminutivo. E era em uma coleção chamada Poesia Orbital, iniciativa do poeta Marcelo Dolabela e sua trupe. Foi uma imensa alegria para a poeta iniciante.
Há alguns meses, um coletivo que homenageia o Dolabela, falecido recentemente, resolveu retomar a coleção e fazer novos volumes. É claro que aceitei o convite, até como uma forma de celebração da persistência que é preciso ter para me manter nessa selva que é a cena literária. Fui lá de novo. O título atual é Troca só de tamanho e cor. Fiz um passeio pelos meus 25 anos de produção e 10 livros, retomando a história do primeiro e me despedindo um pouco de certo traço poético.
Esta belezura nasceu em 2024, depois de um convite do Carlos Fialho, editor da incrível Escribas, editora independente de Natal na qual eu já tinha três outros títulos.
O livro reúne as crônicas publicadas no Blog da Relicário por cerca de dois anos. Tem prefácio da poeta potiguar Regina Azevedo e quarta capa da jornalista carioca Michelle Strzoda. Compre aqui!
Michelle foi a pessoa que me convidou para escrever no Blog, com o aval da Maíra Nassif, claro; enquanto Regina é uma poeta que conheci, anos atrás, justamente nas andanças pelo Rio Grande do Norte para trabalhar os livros da então editora Jovens Escribas.
O lançamento oficial foi na Livraria do Café, dentro do Café com Letras, um dos meus lugares preferidos em Belo Horizonte. Pura generosidade do Bruno e da Luciana.
Pouca gente sabe, mas é o segundo livro de contos que lanço, desta vez com textos de mais fôlego, mais graves também e por uma editora grande, agenciado pela Agência Riff. Vejamos qual será a trajetória do livro, levando a autora a reboque. Assim espero. Ou o contrário?
É sempre uma alegria pôr um livro literário no mundo. Quer dizer… uma alegria misturada a muitos outros sentimentos, entre eles certo temor de que as coisas não andem bem. Mas vamos lá, coragem.
O volume reúne 16 contos permeados pelo tema da violência e da morte. A capa foi feita sobre arte de Hiroki Kawanabe (Japão), com design de Diogo Droschi. Edição de Rafaela Lamas e trupe da excelente Autêntica Contemporânea. O livro está fácil de alcançar, em livrarias de todo o país e pelo site do Grupo Autêntica.
Na UFMG Educativa, em áudio. Eles sempre dão uma força enorme.
O primeiro lançamento aconteceu em Goiânia, na simpática livraria Tekoá, com mediação da editora e jornalista Larissa Mundim. O segundo foi na livraria Jenipapo, na Savassi, em Belo Horizonte, com mediação da professora Maria do Rosário Alves Pereira. Dois momentos gostosos. E sigamos para os próximos.
Lá pelos 47″, a profa. Maria do Rosário trata de um conto do Causas não naturais em um evento acadêmico chamado SimLer, na UFPI. Vale ouvir o que ela diz em sua linda análise.
Tenho tido uns retornos interessantes sobre o CNN, a maioria a respeito dos contos mais pungentes: o das barragens, o dos dois irmãos que se despedem da mãe… algumas pessoas dizendo que ficaram sem fôlego; o delegado da Homicídios da Polícia Civil me disse que se emocionou com o conto do cachorro (imagina!); uma jornalista me disse que o primeiro conto tem uma virada genial (adorei); um conhecido nas redes gostou exatamente dos contos mais leves e irônicos, como o da consulta médica; por aí vai.
No Clubelivrismo, no Insta, um comentário bem legal.
Agora o rolê será em Porto Alegre, dezembro de 2023: um bate-papo na UFRGS, mediado pelo prof. Guto Leite, e outro na livraria Paralelo30, com a escritora Lélia Almeida.
No Insta da Ludimila Moreira, um comentário muito caprichado. Isso deve gerar um lançamento em Brasília. Quem sabe?
Em maio de 2024, foi a vez do lançamento em Brasília, na livraria Circulares. O evento foi seguido de uma oficina de revisão do texto literário. Tudo muito intenso e animado.
Finalmente, conheci pessoalmente a escritora Paulliny Tort, que admiro tanto pela autoria de Erva brava, e a crítica literária Ludimila Moreira, que foi mais do que uma cicerone. O bate-papo na livraria Circulares foi longo e produtivo. Além delas, várias outras pessoas do livro e da literatura vieram conversar e compartilhar experiências. Voltei para BH cheia de livros para ler.
Dei também uma passadinha pela Rádio Senado para conversar com Anderson Mendanha, que preparou um papo muito legal. Pode ser escutado no Spotify e no site da RN também.
Saiu! A princesa nada casadoira vem aí com seus pretendentes azarados e seu pai autoritário. Não adianta chiar, papi, a menina sabe o que quer e o que não quer.
Vários perfis do Insta têm mencionado o livro, falado dele com carinho, feito minirresenhas, mostrado fotos com crianças.
Durante o FLIBH, em novembro de 2023, tive oportunidade de participar de uma roda de leitura em que ele esteve no centro do palco. Foi ótimo. Estavam lá talentosas autoras e ilustradoras. Um casal veio falar comigo que adorou, que queria dar de presente a uma sobrinha, mas que… era desconstruidão demais para os pais da menina, muito conservadores. Que pena, né? Nem leram e já acham. Mas vamos nessa que nossa Princesa tá bem feliz com suas escolhas.
No primeiro dia de dezembro de 2023, tive a alegria de duas resenhas no Insta: a da Paula Belmino, que diz: “Um livro inteligente e muito interessante para refletir também sobre empoderamento feminino permitindo que a mulher ocupe qualquer lugar na sociedade”; e a do Tiago de Carvalho: “Neste reconto hilariante e moderno, a autora nos presenteia com uma visão única e vibrante de uma história popular do Vale do Jequitinhonha, MG, intitulada ‘O Couro de Piolho’. O enredo gira em torno de uma princesa, longe dos estereótipos tradicionais, que desafia as convenções sociais e recusa categoricamente a ideia de casamento”. E mais: “Uma jornada de humor, empoderamento e ciência monárquica, onde o amor próprio, a determinação e a inteligência prevalecem sobre os clichês antiquados. Inusitada e encantadora, repleta de risos e reflexões que desafiam as expectativas e oferece uma perspectiva suave sobre os contos de fadas tradicionais“. Nó, que alegria essas leituras. <3
A incrível Juliana Pádua falou superbem dele no Insta, ó. Disse bem assim: “tô rachando o bico”.
Ótima notícia sobre nossa princesa: finalista do prêmio nacional da AEILIJ, que é a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil. No site deles dá para ver.
Semana começando e fica próxima a viagem a Lima, capital do Peru, por motivos muito lindos: o livro e a poesia. Como sempre, meus poemários me levando em suas asas de papel.
Desta vez, participarei da Feira Internacional do Livro de Lima em pelo menos duas ocasiões (além dos rolês para conhecer e comprar títulos, claro): uma será uma mesa que comemora os dez anos da editora Amotape Libros, pela qual sai meu primeiro livro integralmente traduzido a outra língua e que circulará em outro país; a segunda participação será justamente em razão desse lançamento, que acontece depois de um longo trabalho tradutório do livroÁlbum, lançado no Brasil em 2018 pela maravilhosa Relicário Edições, da Maíra Nassif. Com o apoio da Biblioteca Nacional, em seu programa de traduções, e da Embaixada do Brasil no Peru, a Amotape conseguiu esta proeza. É uma alegria grande para uma poeta como eu, que sempre circulei pela periferia do sistema literário brasileiro.
Depois de cinco anos escrevendo mensalmente para a prestigiosa Revista Pessoa, já era hora de reunir as crônicas sobre nossas línguas portuguesas em um livro. O título sai pela Parábola Editorial e apresenta 62 textos, quase tudo o que foi publicado eletronicamente de 2017 a 2022.
De assuntos específicos, como uma vírgula, aos mais abrangentes, como sotaques, o livro trata de aspectos do português, em especial o brasileiro, com humor, leveza e paixão. O prefácio é assinado pela cronista e poeta paulistana Mariana Ianelli, que captou muito bem o tom dos textos reunidos. E mesmo se tratando de uma coletânea de textos anteriormente publicados, há enormes chances de eles serem inéditos para a maioria dos leitores, já que a Revista Pessoa permitia 24h de acesso gratuito e depois fechava as crônicas aos seus assinantes.
A coluna temática original se chamava “Ortografia também é gente”, em homenagem ao poeta português Fernando Pessoa. O lançamento do livro acontece primeiro em Belo Horizonte, na livraria Quixote, e depois segue para o Rio de Janeiro, em junho.
Lançamento virtual programado para 30 de maio. Assista!
Hoje em dia é difícil acompanhar os comentários sobre os livros nas redes sociais, mas de vez em quando alguém posta uma foto ou faz um textinho. Agradeço sempre.
Por agora, a notícia é o lançamento no Rio:
Bate-papo com Rodrigo Casarin no Página Cinco, UOL.