
Há vários meses, o prof. Francis Paiva, colega do Colégio Técnico da UFMG, me fez uma provocação. Foi de um tipo que eu adoro: você não tem aí um ensaio sobre inteligência artificial e educação? Na sequência, a querida Daniervelin Pereira, da Faculdade de Letras, confirmou a cutucada.
Tenho. Só que está na minha cabeça, incubando ainda. Esse tipo de convite me ajuda a pensar mais concretamente e a acelerar os processos que materializam os textos. É claro que escrevo sempre, a fundo perdido também, mas escrever com destino certo – uma boa revista científica – torna as coisas mais assertivas e acertadas.
O texto, obviamente, seria submetido à arbitragem da revista. E foi. Voltou com alguns comentários, aos quais atendi prontamente. E lá foi passar pelo processo de edição, demorado e cuidadoso. Voltou, devolvi, voltou. E, um dia, recebo na caixa de e-mails a boa notícia da publicação. Está na Texto Livre.
Parti de anotações e ideias que as IAG vêm me despertando na experiência com o Ensino Médio, mas também em outros níveis de ensino. A vivência na pós-graduação e na graduação também alimenta o que penso e observo. A Educação Básica é onde mais vejo vulnerabilidades. E quanto mais estudo, mais fico tentada a ser crítica às IAs.
Pois bem, consegui pôr algumas dessas ideias e meia dúzia de argumentos no ensaio que a Texto Livre publicou agora, intitulado “Definições atualizadas e uso com moderação – um ensaio sobre inteligência artificial na Educação Básica“. Relendo, fico com a impressão de uma pressa, uma ansiedade quase, mas acho que me expliquei. A proposta – adoro – era mesmo de um texto ensaístico, especulativo, com o qual aprendo mais do que resolvo o que quer que seja. Não tenho o compromisso de relatar resultados, mas de levantar lebres, fundamentada, claro, em leituras e muita reflexão. Tomara que esse texto chegue a muitos leitores e leitoras e que eles e elas tirem proveitos que imagino e que não imagino.