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Curso on-line x presencial

Nos meses mais recentes, estive envolvida com uma ideia que precisava se transformar em ação. Pensei na oferta de um curso presencial sobre escrita e publicação literária a ser oferecido pela Fundação CefetMinas, vinculada à instituição onde ensino, pesquiso e invento moda. Nem de longe é a primeira vez que faço isso. Esse tipo de oportunidade me chegou, ao longo da vida, seja por provocação de colegas, seja porque acordei me coçando para fazer algo. E fiz. A ideia de desenhar, propor, oferecer e realizar esse curso ganhou força e um dia fui atrás das pessoas que poderiam acolhê-lo. E acolheram.

Telefonemas. Conversas. Negociações. Aí você descobre que, no serviço público, há um processo meio chato a enfrentar para oferecer algo à cidade. Tudo bem, não era para arranjar sarna… Mas vamos nessa. Abre processo, preenche formulário, espera reuniões, decisões, aprovações, documentos novos, pronto, posso começar? Não se mexa enquanto não escutar um sim, e da pessoa certa! Ele veio.

Novos telefonemas, horas no computador, exame de currículos, lembrança de pessoas competentes, experientes e, claro, que também possam se mexer. Porque um curso novo, assim como quase tudo que começa, exige um esforço maior do que coisas que pegamos já prontas. Também não sou nova nisso. Mais telefonemas, pessoas possíveis, porque quase tudo é feito de, com, por gente. Escrita, preenchimento, revisão, envio, proposição, planilhas, mais pessoas. O curso pode existir? Sim. Detecto que há um espaço meio vago na cidade. É claro que há pessoas fazendo isso há muito tempo, exitosas, mas não do jeito que pensei: com uma instituição como a nossa dando aval, espaço, suporte. Nem com a experiência que já temos emprestada de outras iniciativas semelhantes, mas em outros graus. Vamos ocupar?

Um dos primeiros problemas do desenho do curso é pensar se ele será presencial ou remoto. As palavras não ajudam, sempre me deixam intrigada. A língua portuguesa e seus antônimos não resolvem isso? Poxa. E acaso são antônimos? Eu quero dizer que o desenho deste curso será presencial, no sentido que as pessoas devem se encontrar fisicamente num espaço de sala de aula, aos sábados. Isso é a primeira coisa que vem à mente quando se pensa em “presencial”. No entanto, um curso on-line não prescinde da presencialidade. As pessoas têm de estar li, não é? Por isso resisto em chamar de não presencial. A diferença é que estão mediadas por tecnologias, podem interagir remotamente, cada uma de sua casa, mas ao vivo, simultaneamente. Diferente disso seria um curso gravado, em que as pessoas não estão juntas, nem sequer remotamente. Mas essas palavras sempre me parecem inapropriadas para o que querem descrever ou definir. Que fique assim mesmo. Conto com a colaboração do leitor/da leitora.

O curso que queríamos propor seria num prédio, na zona oeste da cidade, próximo ao câmpus do Cefet-MG, e as pessoas se encontrariam por cinco manhãs e tardes de sábados, no outono. Era isso, o que significava que apenas pessoas em Belo Horizonte ou próximas poderiam cumprir as horas propostas. A não ser que alguém quisesse viajar muito. Nada de computadores, distâncias, câmeras. Os professores e as professoras também seriam todos prata da casa, gente competente que atua na cidade.

No entanto, quando começamos a campanha de divulgação do curso, eis que muita gente começa a pedir que as aulas sejam remotas, on-line, virtuais. Mais palavras. E bate aquele sentimento ambíguo de frustração e alegria. Há gente interessada em todo canto (sabe lá se viriam mesmo, se fosse on-line), mas queríamos promover um espaçotempo de interação próxima, com gente que se olha nos olhos. Isso, no ensino de escrita, pode ser precioso. Por outro lado, as pessoas interessadas que não moram em BH pedem que a oportunidade também seja alcançável para elas. Justo. Pode ser, até, que haja mais gente interessada fora do que dentro dos limites da cidade. Mas se fôssemos desenhar um curso assim, ele seria outro, em boa medida.

Um curso on-line prescinde de salas físicas, endereços completos, trânsito, tráfego, professores locais etc. Também é preciso repensar seus tempos, os intervalos, o espaço virtual onde se dará, a cadência das aulas, a experiência específica dos docentes, a expectativa dos envolvidos. Os valores pagos seriam os mesmos em qualquer situação. Por que alguns acham que um curso virtual vale menos? Por acaso dá menos trabalho?

Mas minha antipatia máxima é reação a outra coisa. Sempre há quem peça pela gravação das aulas, alegando uma assincronia importante. Dizem que, se perderem (pelo que pagaram), depois assistem… E eu duvido que assistam mesmo… com raras exceções. Bem, não era nosso objetivo. A ideia era proteger a possibilidade da interação. É ela a responsável por quase tudo o que aprendemos na vida. Interagir, sim, seja com olhos nos olhos, seja mediados por telas, mas precisamos nos reunir para conversar, analisar nossos textos coletivamente, trocar ideias. Sem isso… É como assistir à tevê e falar sozinho, sem retorno, sem o debate. Não era isso.

Bem, o curso presencial (físico) exige muito. Precisamos pensar nas cadeiras, nos horários e até no cafezinho. A Fundação oferece, cuida bem de quem a visita. Já o curso on-line depende de um espaço virtual, geralmente assinado, onde possamos nos encontrar para trabalhar e conversar. E as câmeras fechadas? O que fazer com elas? Parte das pessoas não está ali atrás, como sabemos. Às vezes, alguma situação embaraçosa comprova isso. E o gatilho da pandemia? Quem deu aulas no contexto da crise sanitária sabe… Por outro lado, nas cadeiras da sala, no prédio físico, também não garantimos a atenção e a presença das pessoas. Quem dá aulas em qualquer lugar sabe… De todo modo, são experiências muito distintas entre si.

Nosso desejo foi propor uma ocasião de encontro entre pessoas interessadas em escrever e publicar literatura. Se ele não acontece na presença física, talvez possa acontecer na presença remota, on-line, mas será preciso um outro tipo de esforço e organização. E quanto aos efeitos e resultados? São os mesmos? Acredito que possam ser bons, cada um a seu modo. O que sabemos é que nunca alcançamos a satisfação plena de todos. Há sempre uma falta, uma falha… E vamos lidar com ela.

Férias sempre curtas

Mais de meia dúzia de pessoas me fez a pergunta fatal: E as férias, Ana? Eu respondo com honestidade: Foram curtas.

A sensação é de que nunca são suficientes. Saímos do ano letivo cansadas e retornamos… Cansadas. As poucas semanas de descanso não servem muito para descansar, de fato. Meu filho fez uma cirurgia, tentei arrumar a casa, os armários, limpar coisas, organizar o escritório, jogar objetos fora, separar roupas para doação, escrever minha literatura, mas não consegui ser completamente feliz em nada. Uma sensação de frustração e tristeza me pega de jeito na virada de dezembro para janeiro. O Paulo que o diga… Aguentou meu desespero por uns dias. Viajei, mas sem me deslocar demais, porque volto de viagens mais exausta do que fui. Então nada de exageros e invencionices. O negócio é não ter horários e dormir a sono solto, sem despertador para estragar a festa. Quando me pedem uma definição de férias, sempre digo: sem relógio, sem viagens e sem despertador.

Voltamos. Tivemos ainda uma colher de chá. Devido a um problemaço nos sistemas da instituição, o início do ano letivo foi adiado em uma semana. Preocupante e bom. Ufa, minha ansiedade durará uma semana mais, mas também meu despertador deixará de trabalhar por mais uns dias. O lado bom sempre tem o lado ruim como avesso. Sem-vergonha.

No semestre 1 de 2026, darei aulas na graduação mais do que em qualquer outro momento da minha carreira, que eu me lembre. Posso estar enganada, claro. E ministrarei uma disciplina hypada na pós. Vamos tratar de inteligência artificial gerativa ou… De escrita e humanidade, sem sermos bocós o suficiente para cair nessa de ChatGPT sem peias.

A turma mais procurada foi exatamente essa. Na pós, terei mais alunos do que na graduação. No bacharelado em Letras, conviverei com duas turmas de disciplinas obrigatórias e uma optativa. A menorzinha é a optativa, que começa à tarde, um horário que eu adoro.

Não atuarei por uns meses no Ensino Médio. Saudade daquela moçada de olhos vivazes. Tive boas experiências nos últimos anos. Volto logo.

Passei grande parte das… “Férias”… estudando e fazendo a curadoria dos textos dessas disciplinas. Não seria possível fazer isso dentro do período letivo. Quase nunca é. Só se estamos ministrando a mesma matéria há muito tempo, o que quase nunca é meu caso. Minha inércia é a do movimento. É bom e é ruim, aqueles avessos.

Darei aulas do final da tarde para a noite. Serão dias cheios. Evito qualquer outro tipo de atividade neles. Geralmente, minha energia vital mal dá para sustentar as aulas regulares.

No ano passado, tive a sorte da companhia de duas estagiárias docentes: uma doutoranda da UFMG e uma nossa; uma no ensino médio e outra na graduação. Júlia e Juliana. O barato foi que elas se conheceram e começaram a me acompanhar nos dois níveis de ensino, mesmo que não tivessem essa obrigação. Foi uma experiência ótima. Duas craques. Sentirei falta.

Neste ano, tive outra sorte: a de receber para um estágio pós-doutoral a colega e amiga Renata Amaral, professora doutora do Centro Pedagógico da UFMG. Renata vem pesquisar, inventar “mexidas”, como ela diz, e acompanhar duas disciplinas da graduação comigo. Tenho certeza de que será muito divertido e produtivo. Renata é dessas pessoas ligadas no 220v.

2026 tem me deixado temerosa. Não há escape. O negócio é mergulhar. E sempre preservando meus projetos e pondo limites onde é necessário.

Nosso grupo de pesquisa e estudo, o Mulheres na Edição, abriu as atividades do ano. Sandra e eu recebemos Nina Paim e Raissa Baptista para uma conversa sobre design e feminismo. Foi um encontro cheio (quase 40 pessoas) e muito interessante. Esses estudos mexem com a cabeça e os paradigmas da gente. Por isso é que vale a pena.

4, 3, 2, 1… Já vamos começar com o pé direito nas salas do campus Nova Suíça! Um bom semestre a todas e todos.

Ler, ler mais

Por mais esquisito que isso pareça, ser professora não incrementa minhas possibilidades de ler. Menos ainda as de ler livros e textos não relacionados às atividades laborais diárias. Sempre achei isso um contrassenso, embora seja também meio óbvio. Não me conformo, no entanto.

Escolhi fazer Letras porque pensei que isso talvez me garantisse uma vaga entre as pessoas que leem, leem sempre, leem muito. Na época, não associei diretamente a escolha acadêmica e a vida profissional real de uma professora. O problema é que a leitura literária eletiva, por exemplo, foi sendo expulsa da minha vida. E isso sempre me angustiou. Não separei o mundo entre linguistas e não-linguistas, e ler literatura sempre fez parte do meu enquadramento como pessoa de Letras, mesmo eu sendo… linguista.

Em 2019, lembro que me revoltei com alguma dificuldade imposta, não conseguia terminar um livro, algo assim, e decidi que leria, sim, leria literatura contemporânea (ainda mais eu, escritora…), desobedecendo tudo e todos, quisessem ou não. Ninguém tinha nada com isso. Meti lá os livros em alguns cantos da casa e me prometi ler, ler sempre. Pegar uma fila (nem sempre fixa) e ler. Mesmo que tarefas entrassem voando pela janela, chefes dessem ordens aleatórias antileitura, alunos me prensassem contra a parede, filho me demandasse além da conta, maridos agissem pior do que filhos, etc. E li, me pus a ler, com essa sensação de que preciso me proteger, sempre.

Uma estratégia que uso é esta: acordo, tomo meu café, volto para cama e leio por alguns minutos. Se tiver sorte, algumas horas. Como faço isso? Não consulto nada no celular. Não pego no celular antes de meio-dia. Finjo que não existo. Se abrir um aplicativo qualquer, a leitura se esvai. Não posso. O negócio é não aparecer socialmente. O celular é uma máquina de massacrar gente que, além de demandar em excesso, todo o tempo, porque abre um canal direto com nosso tempo de vida, ainda impede que leiamos um livro por alguns minutos inteiros, sem interrupções. Pois não chego nem perto do telefone, e assim me mantenho na missão que me dei. Funciona.

Fongwei Liu – detalhe

Acho muito estranho que uma professora (e de Português!) não consiga estar a par do que acontece na literatura e nas questões técnicas atuais. Tanta profissão que mantém o livro e a leitura à distância… E eu não as escolhi. Elegi uma que pensei ser uma espécie de oásis. Me enganei. Se bobear, ficamos sempre naqueles mesmos dez clássicos da época em que estudamos. Para ler, ainda que sejamos docentes!, é preciso desobedecer.

Este ano celebro 7 anos dessa decisão, que me trouxe muitos frutos. Salve a leitura!

115 anos do CEFET-MG

O Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais pode estar com os dias contados! Não, não é bem o que você está pensando. É que há vinte anos ele reivindica, com justiça, sua transformação em Universidade Tecnológica Federal (UTF), e pode ser que isso aconteça em breve. Fico na torcida. Será importante para uma instituição que já não cabe em seu estado atual, e faz tempo.

O então presidente JK em discurso na nova sede da Escola Técnica, em 1958.

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) prestou uma justa homenagem aos 115 anos do CEFET-MG, numa sessão solene bem bonita, conduzida pela deputada Lohanna (PV). Vale assistir à gravação para ter melhor noção de que instituição é essa, como ela vem se transformando ao longo de mais de um século (quantas no país têm essa idade e com excelência?), acompanhando a sociedade em que se insere vivamente e sendo conduzida e dinamizada por um corpo de servidores e alunos empenhado. É emocionante.

Panorâmica do campus Nova Suíça (I), sede do CEFET-MG hoje
(um de seus 11 campi em Minas Gerais).

Para assistir à sessão de homenagem, ver aqui.

Para saber sobre a sessão, aqui.

Para saber sobre a transformação em Universidade Tecnológica Federal, ver aqui.

Fim de ano, energia no volume morto

Escola. Final de ano é sempre meio que isto: reuniões, correria, notas, gente em desespero, professores exaustos, todo mundo exaurido. Por quê? Fico pensando, nos meus breves segundos de revolta. Depois retomo o lançamento das notas e frequências, os e-mails tirando dúvidas. Você organiza tudo (sou bem virginiana, a louca das planilhas), oferece atendimento, mas as pessoas às vezes não respeitam. Elas pintam fora do horário do atendimento, querendo soluções que muitas vezes são mágicas. É um universo em que sempre é possível ser flexível, mas querem sua permissividade; é sempre possível ter dó, mas aí a gente é que se lasca. É isso. É querer ser educadora, mas viver no limite da injustiça. Paciência. Há mais de 25 anos sou professora, nunca aprenderei direito.

Já tivemos, só neste mês, reuniões, uma das quais teve quatro horas de duração. É teste de resistência, não? Imagina? O trabalho não nos deixa trabalhar. Essa é uma das esquizofrenias da escola, o que ela faz conosco. E por cima das reuniões já marcadas, alguns vêm querendo mais reuniões; reuniões para fazer outras reuniões. É horripilante. Um universo realmente terrível de camadas de exigências estranhas. Isso sem falar nas aulas finais, nas despedidas, que de vez em quando são boas. Me despedi de uma turma bonitinha de ensino médio, com chororô e tudo; me despedi de orientadas; me despedi de estagiárias; me despedi de colegas; me despedi de professoras que vieram fazer a pós-graduação. De outro lado, dei as boas-vindas a algumas pessoas, essas que foram aprovadas agora e darão sequência aos estudos. É o fim e é sempre o começo.

Exausta. Estou exausta. A única coisa que penso é que quero corrigir minha rota (porque algumas circunstâncias me pegaram no contrapé), quero juntar energias para escrever e fazer o que gosto nas férias, quero ter férias do jeito que quero tê-las, sem negociar com ninguém (porque passo cada minuto do ano negociando) e quero me cercar sempre de gente inteligível, transparente, que joga o jogo limpo e ético. Nem sempre é possível e as escolas, como todo ajuntamento de gente viva, às vezes parece um serpentário. Bom, mas a gente sempre fica sabendo o que não é legal e o negócio é se blindar, para continuar fazendo o que é bom para quem veio buscar coisas boas neste espaço.

Calor. O calor é intolerável. Sou 40% menos produtiva quando faz calor. Mas janeiro há de ser de ventiladores ligados e energias dedicadas às coisas para as quais minha energia vai sem dor, em bocados prazerosos. É claro que não dá para viver o tempo todo assim. Nossa sociedade não gosta disso. Os colegas também não. É uma perturbação frequente, gente que toma conta da vida dos outros, enquanto definha. No calor mesmo, vamos tirar férias e sossegar. O que são férias para você? Eu as defino assim: não ter horário. Acordar quando acordo, comer quando tenho fome, beber quando sinto sede, dormir quando sinto sono. Com filho grande já dá para alcançar essa graça. Vejo na tevê a notícia de que os hotéis estão com 100% de ocupação não sei onde, as filas, os voos lotados (e caros! como nunca!), aquela multidão escorrendo junta pelas mesmas ruelas. Só penso: que bom não estar aí! Passo o ano todo negociando coisas e horários que não são meus, a rigor. Sendo usada aqui e acolá. Minhas férias… dá licença! Farei o que quiser delas. E só com quem eu escolher. Boas festas e que você possa também escolher.

CEFET-MG no topo

A notícia é que o CEFET-MG encabeça a lista dos melhores da rede de institutos e cefets. De fato, essa instituição centenária tem feito um belo trabalho. É uma alegria fazer parte disso, de algum modo.

Na rede federal de ensino como um todo, a situação não é ruim. O CEFET-MG ocupa o 33o lugar. Nada mal, hein? Seguimos firmes.

Desafios da pós-graduação UFSJ

A Universidade Federal de São João del-Rei me fez um convite honroso: discutir os desafios da pós-graduação num simpósio virtual. Muitos convidados e convidadas bacanas compareceram para falar sobre o tema, pensar, refletir, propor. Foi dia 10 de agosto, volta às aulas. O público foi imenso e muito receptivo. Falei à tarde e gostei demais de ouvir os/as colegas de mesas.

Sábado letivo

O dia 13 de agosto vai ser uma festa. O Departamento de Linguagem e Tecnologia, onde sou lotada no CEFET-MG, está responsável pela oferta livre de atividades para o ensino médio. Aqui é possível ver a lista de oficinas e cursos curtos. Eu e as bolsistas maravilhosas do Aula Aberta vamos oferecer uma oficina de escrita bem desafiadora. Ó só:

Setembro e a primavera

Já estamos na metade do mês de setembro, os ipês estão em festa por todo canto, já faz calor de ligar ventilador (em BH), temos uma estiagem bastante incômoda e, ainda assim, vi que meu manacá floriu de branco e roxo.

O mês está cansativo. O calendário letivo está atrasado, então estamos vivendo julho, na verdade. Disciplinas terminando, estudantes estressados, nós também. Trabalhos para ler e comentar, notas e frequência a lançar no sistema acadêmico, reuniões em sequência e um cansaço enorme. Logo ali, vemos as férias na esquina, mas elas riem de nós. Nunca chegam.

Até que o mês termine de vez, ainda participarei de bancas de qualificação, de TCC, de concurso público e de mestrado, em diversas instituições. Também lerei vários projetos de orientandos/as meus que precisam de feedback. Em breve as qualificações serão deles.

Haverá ainda mesas e palestras em eventos simpáticos, encontros virtuais com colegas queridos e queridas, papos sobre literatura, onde mostro minha faceta mais persistente, a de escritora. Quando o mês chegar ao fim, estarei em Porto Alegre, num encontro com o amor para uns dias de descanso e alívio. (Me espera, Sérgio!)

Estou muito grata por participar de tantas coisas que me fazem perceber sentido na vida e na profissão. Tem sido muito difícil atravessar a pandemia somada ao governo federal. Muito difícil. O período mais complicado e mais desestimulante de toda a minha vida profissional, em especial como professora. No entanto, é preciso seguir. O que me dá vontade de seguir são justamente os convites interessantes e as possibilidades de parcerias proveitosas, coletivas, bonitas. Não fosse isso e eu estaria muito mais afundada em burocracia e falta de visão.

Sigamos!

Fechando ciclos

Em janeiro eu já tinha sacado que seria um ano de muito trabalho. Embora a pandemia seja uma grande tragédia, uma crise enorme, da qual vamos demorar a nos recuperar completamente, em muitos sentidos ela provocou também, em minha vida, uma dinâmica de trabalho intenso, mas que me deixa muito menos exausta. Não é interessante?

Por estar em casa, distribuindo melhor o meu tempo e com a mesma responsabilidade com que lido com tudo o que preciso fazer, consigo me organizar bem, jogando muito menos tempo no lixo ou doando-o menos ao que e a quem não quero doar. É realmente algo que tem me feito pensar muito, embora eu não possa passar muito disso: pensar. Sei que o retorno ao presencial me levará, novamente, ao desperdício.

Nesta semana, sexta-feira, encerro um curso online que ofereci em uma experiência nova da Andifes e do CEFET-MG, a mobilidade virtual. Convidei uma colega argentina, a profa. Lucía Tennina, da UBA, e juntas compusemos e oferecemos um breve curso sobre edição e literatura contemporâneas no Brasil. Tivemos boa aceitação, pessoas interessadas em várias partes do planeta. À medida que as semanas passaram, o engajamento geral foi se reduzindo, mas a experiência serviu para nos colocar em contato com muita gente interessante e interessada no Brasil e em sua produção literária.

O outro ciclo que se encerra, também ligado à colaboração e à parceria, é a disciplina de pós ofertada juntamente com a profa. Dorotea Kersch, da Unisinos, num esquema de aulas virtuais às terças-feiras. Que maravilha de conversa! Pessoas do país inteiro estiveram conosco por cinco semanas, sem trégua, por meio de fóruns e de encontros síncronos muito proveitosos. Pelo menos foi assim que senti. Dezenas de colegas leram nossas indicações bibliográficas, conversaram conosco, nos contaram de suas experiências. Por fim, propusemos uma produção de texto colaborativo. A ver.

São ciclos que se encerram. Foram muitos cursos extras (afora as aulas regulares de médio e graduação), que serviram como pilotos de coisas que desejamos fazer sempre. No entanto, é este ser dona do tempo que permite tanta estripulia boa. Se houve algo que rendeu durante esta “infinitena” (como disse um amigo) foram os laços, as colaborações, as experimentações. Ah, se dependesse de mim… Trabalho o dobro, o triplo; produzo muito e melhor; me sinto muito mais objetiva; mas enfim… um dia a vida voltará ao seu curso… espero que seja um outro jeito de fazer e de ser.

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Ana Elisa • 2020