Chegou abril. Outubro, inverno, melhor época do ano. Percebo que começo a me esforçar para não ficar ansiosa. Exercícios de respiração para dormir e para estar no mundo. Evitação de problemas. Estou entusiasmada. A alma quicando no corpo. O corpo não sabe direito o que fazer. Coração agitado, sangue apressado, sono assustado, sede, fome, oscilações. E nem gosto de altos e baixos. É que abril está intenso e as coisas semeadas começam a vingar todas ao mesmo tempo. Efeitos do calendário, inclusive o religioso – além das crises econômicas. Do Natal ao Carnaval não acontece nada, tudo represado. O ano começa em março, por exemplo, e aí tudo se precipita. E quase não aguento. Na maior parte, são alegrias para administrar.
Chegou primeiro o poemário da Moinhos. Meu primeiro lá, depois de livros de crônicas e acadêmicos. Uma provocação do meu amigo e parceiro Nathan Matos. Estamos às voltas com a capa porque a paleta me incomodou, depois de duas tentativas. E com o miolo, porque eu quis ajustar alguns textos. Já havia me esquecido deles. É um livro-conversa. Sério, um pouco nostálgico, humilde, reverente.
Daí a Peirópolis me enviou o livro que escrevi para a Biblioteca Madrinha Lua. Depois de doze títulos, resolvi entrar. A Renata Borges, editora maravilhosa, sempre dizia cadê o seu? E eu achava que não era hora, que não tinha ainda um original pertinente para aquele espaço cheio de homenagens. Finalmente, deu. Um dia, enviei. Foi uma alegria compartilhada. Está lá. Eis que, com algum atraso, a Gabriela, nossa designer, envia a capa e o miolo. No caso da BML, o projeto gráfico é um só, mas mudam as cores. Amei a composição da minha vez. Estou relendo, revendo. É emoção pura o que pus ali. Todo mundo que leu, e é pouca gente, falou de engasgos e lágrimas.
Quando nem espero mais, vem a Impressões de Minas e me envia o outro poemário, capa e miolo. Naquele estilo IM de ser, com facas, cores, dobras. É fascinante. Morri pela terceira vez. Tudo lá, com a secura irônica do que propus para esse poemário. Revi também.

Nos três casos, os livros foram enviados às editoras há bastante tempo. Tanto que nem lembro mais direito dos poemas. Releio com distanciamento. Não me arrependo muito. E se me arrependo, sei que faz parte. Ou tiro. Ou repenso. Reescrevo, até. Não faz mal. Três conjuntos bem distintos um do outro. Não sei se a mesma voz. Talvez não. Um mais seco, outro mais conversado e outro puro afeto. Casas diferentes, estilos particulares.
Já começo a agradecer. Além de leitores e leitoras eventuais e segredosos, contei com o posfácio do Leonardo Villa-forte para o da Impressões. Só podia ser ele para falar daquela proposta. Outro tem prefácio da Mariana Ianelli, maga poeta, só ela para ler aquela emoção toda. Posfácio da Renata Borges, que tenta se esquivar, mas não pode, desta vez. E o posfácio da Alícia Duarte Penna, outra arquipoeta que poderia ler meus versos-conversa como ninguém mais. Ela mesma aparece como personagem num poema.
Lançar três livros “de uma vez” vai ser complicado. Nem sei se proporei festas. Pode não ser bom para os livros, para mim, para as editoras… E elas sabem dos meus projetos paralelos. Mas os processos editoriais aconteceram como puderam. Os poemários não foram escritos simultaneamente; nem enviados. Os atrasos os sincronizaram e vai parecer que eu não me contenho, que sou o que chamávamos aqui de “fominha”, na minha tenra adolescência. Não foi. Fiquei uns tempos sem publicar poesia, e eis que ela sai assim aos borbotões. Ao menos são três propostas bem diversas. As poucas pessoas interessadas poderão escolher, vá lá. Não digo ainda os títulos, mas a qualquer hora mostro as capas. Obrigada às editoras que apostam em poesia desde sempre, e se não fosse isso…















