Ainda falta muito para entendermos a que veio mesmo a IA gerativa. O assunto é tão relevante, principalmente por seus efeitos, que vimos ofertando disciplinas na graduação e na pós-graduação para estudar e debater o tema, em especial quando ele toca a educação básica, e mesmo o ensino superior. Não é possível fugir do assunto.
No esforço de compreender os impactos da IAG na produção escrita de crianças e jovens, Lucas Mariano, Juliana Paiva Soares e eu publicamos um artigo na revista Gláuks. Nele, analisamos produções reais de estudantes de uma escola pública mineira. O convite para esta coautoria partiu dos dois doutorandos do CEFET-MG, docentes dedicados ao ensino fundamental II. Convidamos à leitura.
Em dezembro, tive a boa notícia de um ensaio publicado na Revista do GEL, o Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo. O trabalho é desdobramento de uma mesa-redonda da qual participei em 2024, quando o evento do GEL foi na Unicamp. O convite me honrou muito, na época, quando dividi o espaço com a querida colega Márcia Mendonça, mediadas pela Jacqueline Barbosa, ambas da Unicamp. Dali, foi importante escrever e submeter à revista, que preparava uma espécie de número especial derivado do encontro.
O texto publicado é um ensaio, isto é, fiz especulações mais livres, com base na leitura de alguns autores e no que argumentei sobre a relação entre multiletramentos, tecnodiversidade e o ensino de língua materna. Aliás, toco na noção de diversidade para discutir questões que estão em foco hoje. Tudo com aquele toque de “conversa” que gosto de imprimir aos textos.
Embora esta publicação saia em uma revista muito boa (o link dela inteira está aqui), é difícil que um artigo/ensaio seja visto e lido, no meio de tanta oferta, não é mesmo? Mas vamos lá continuar dizendo o que acreditamos que vale a pena ser dito. Aqui o link para o artigo direto.
Novembro chegou. Com ele, vem o SimLer, um dos eventos acadêmicos mais acolhedores e afetuosos que eu conheço, além, claro, do quão interessante é. A notícia oficial está aqui.
O SimLer chega à sua quinta edição com a possibilidade do encontro presencial, em Teresina, PI. A concepção e a organização são da turma da UFPI, lideradas pela profa. Maria Angélica Freire de Carvalho. O CEFET-MG é e sempre foi parceiro de organização, envolvendo não apenas professores, mas também estudantes de graduação e pós-graduação, em diversas atividades e papéis. Tem sido uma alegria esperar pela viagem ao Piauí, estado que eu adoro, para dar uma conferência de encerramento que me deixa honrada (e com frio na barriga). O tema será A leitura em tempos de IA, algo que tem sido recorrente quando me chamam para falar por aí. Não tem como escapar, né?
Além da fala final do SimLer, vou lançar o livroEscrever e ensinar a escrever. Espero que ele chegue às mãos de muitos/as colegas.
Uma conferência é sempre uma responsabilidade enorme. E se for de abertura ou de encerramento, aí é que o frio na barriga vem mesmo. A despeito da experiência que vamos construindo, ao longo da carreira, esses eventos sempre podem nos surpreender. É sempre importante estudar para eles, cuidar do que dizer e ter atenção ao público que possivelmente estará ali, geralmente muito disposto a ouvir e a conversar. E eu gosto muito é da conversa.
Em outubro, fui palestrante no Senael, on-line, para mais de 200 pessoas. É muito gratificante, claro, e também bastante desafiador. O tema era relevante e, também, ainda um tanto desconhecido: a inteligência artificial e suas implicações para a educação. Não é mesmo um desafio?
Faz um tempo, eu soube que a Unimontes e sua editora lançariam um edital para livros de divulgação científica, isto é, obras escritas numa linguagem acessível e para públicos mais amplos do que meus pares acadêmicos. Mais ou menos isso.
Juntei um material que andava disperso por aí e editei esse original. Eram textos que publiquei no Blog da Parábola e na Revista Ponte, mas que tinham circulação mais restrita ou esquecida. Ajeitei, organizei, revisei, ampliei… Escrevi mais um texto sobre a tal da IA e o que ela tem causado no ensino de língua materna… Se é que tem… E fui lá concorrer.
O resultado foi a aprovação da proposta. Isso me deixou muito feliz. Tenho enorme carinho pela Unimontes, e a reunião desse material me deixa muito animada e feliz. Melhor ainda: por ter apoio institucional, o livro será distribuído gratuitamente em escolas públicas (uma tiragem inicial) e depois será liberado como pdf de acesso aberto no site da editora. Isso faz qualquer pesquisadora se sentir muito gratificada.
Olha que capa linda!
Sou professora de Redação no ensino médio. Antes disso, sou escritora e sempre fui uma apaixonada pela escrita e pela língua. Formei-me linguista (e não por ter menos amor à literatura) e atuo também em outros níveis de ensino – graduação e pós – justamente orientando pessoas que escrevem. Se não dou aulas disso (às vezes, sim, como as oficinas de criação no bacharelado em Letras do CEFET-MG), a missão de ajudar que pessoas desenvolvam suas escritas atravessa toda a minha atividade profissional.
O livro que lançamos agora é, então, resultado de estudo e empiria. Estou lá, com as duas mãos na massa e o coração ativo, nas salas de aula dos três níveis de ensino. Vamos comigo?
O lançamento de Escrever e ensinar a escrever, um antimanual para docentes, é dia 18 de setembro, pelo canal do YouTube da Editora da Unimontes. O livro tem paratextos de Carla Coscarelli (UFMG) e Marcos Marcionilo (Parábola Editorial). Um luxo só, e ainda ser editada pela Maria Clara Maciel e equipe. Sigamos! Tomara que as pessoas leitoras gostem!
Setembro vem sendo um mês de muitas palestras e cursos a oferecer. Em todos os casos, foram convites que muito me alegraram e os temas propostos me são caros.
A primeira atividade foi a disciplina Paratextos Editoriais oferecida como parte do curso BSP de Literatura, pela Biblioteca de São Paulo, do qual também sou a curadora. Tive a alegria de alguns encontros on-line com a turma que conheci pessoalmente há alguns meses, na aula inaugural.
A segunda atividade foi a palestra que dei, numa quinta-feira à noite, pelo canal do Divulga Letras, sobre ensino de Português. Tivemos alguns probleminhas técnicos, mas nada que afetasse nossa noite. Minha fala pode ser assistida aí:
No sábado seguinte, foi a vez de falar a convite do grupo Interage LE, da Universidade Federal do Ceará. O tema era os gêneros textuais, a multimodalidade e as interações digitais. Lá estivemos! Também dá para assistir:
Foram experiências ótimas falar sobre esses assuntos para esses públicos, além de conhecer colegas e trocar ideias com pessoas de outras localidades.
O terceiro final de semana do mês será de mesa-redonda sobre literatura contemporânea e mediação de palestra na cidade de Carmo da Mata, onde participarei, juntamente com um grupo do CEFET-MG, das atividades da Festa Literária, a Flicar. É nossa segunda vez apoiando esse evento lindo e importante para a região. A palestra que vou mediar trata das concepções de “bom professor” que emergem dos próprios docentes, segundo a tese do Paulo Andrade defendida na USP.
Ah, me deixem pôr aqui também a entrevista que dei ao canal Multi Educação, com mediação do querido Admilson Resende, que nunca me deixa falando sozinha. Olha aí:
Há meses vimos organizando um colóquio sobre semiótica e multimodalidade. O evento teve início na Paraíba, ficou itinerante (passando por outros estados) e afinal veio aqui para Minas Gerais, primeiro pelas mãos da profa. Flaviane Carvalho, da Universidade Federal de Alfenas, que me chamou para ajudar como parceira institucional e acadêmica. Topei.
Flaviane já tinha feito um pós-doc no CEFET-MG. Era hora de firmar ainda mais nossa colaboração. O colóquio é um desafio de organização e burocracia, mas fomos superando os obstáculos e chegando até aqui. O site está no ar há alguns meses e já estamos na fase de divulgação dos Grupos de Trabalho, após a aprovação dos resumos submetidos pelas pessoas interessadas.
Há uma equipe grande por trás desse trabalho. O site, por exemplo, é arte do Alex Zani, mestrando do CEFET-MG que entende desse e de outros riscados editoriais. Sem ele… uh… seria difícil. O trabalho de formiguinha para divulgar e monitorar submissões é da Caru e da Juliana. E tem muito mais gente!
Serão mais de dez GTs, coordenados por colegas convidados de várias partes do país e do planeta. A programação geral se constitui de três conferências e duas mesas-redondas, além de três oficinas. Tudo bem compacto, mas feito com carinho e prontidão. As mediações das conferências e mesas também são muito especiais. E ó: tudo gratuito. Fazer um evento desses sem $$ já mais que desafio, é mágica!
Tudo on-line, e vamos reunir um timaço de pesquisadoras e pesquisadores da multimodalidade. Vai ser proveitoso. Prestigiem!
Neste 27 de julho, tivemos a alegria de lançar mais dois títulos da coleção Aspas, que sai pela editora-laboratório do curso de Letras do CEFET-MG (Led). Depois de várias traduções e textos de colegas, tive a alegria de ver uma conferência minha convertida nesse registro de acesso aberto. O texto – que se pode chamar de um breve ensaio – foi tratado a partir das notas para uma fala de abertura que proferi no Conelp, na UERJ, em 2022. Foi uma alegria estar lá e é uma alegria publicar esse registro.
Quem ensina a escrever? parte da minha enorme inquietação quanto ao ensino de produção de textos na escola básica. Somo a isso minha experiência como editora e escritora, que me permite juntar dois mundos e questionar por que razão escrever ainda parece tão distante de tanta gente. O volume em pdf pode ser baixado diretamente do site da editora.
Vejam o papo de lançamento pela Led, com a mediação luxuosa dos doutorandos Lucas Mariano e Samira Souza, ambos do Posling CEFET-MG, e operação da Stephanie Mendes:
No final de 2024, participei de muitos eventos. Nem todos deixaram um gosto bom na boca. Não vou me estender, mas a violência tem muitas formas, como sabemos. Às vezes somos surpreendidas pela reatividade dos outros e por certa desonestidade na exposição e na narração dos fatos. Mas vamos nessa e sigamos com o trabalho sério que estamos acostumadas a fazer.
Para compensar isso, o primeiro bate-papo de 2025 foi bem espontâneo, animado, alegre e divertido. O convite partiu da profa. Danúbia Teixeira, da Uniconhecimento, e eu aceitei prontamente. A ideia era bater um papo, simplesmente. Sem slides, sem muito planejamento. Conversar. E o assunto é este que nos interessa tanto: a tecnologia e a escola. Como era uma conversa, acabamos indo parar em outros cantos também. Parece que o pessoal curtiu. O vídeo ficou aqui.
Saiu o dossiê que relaciona as tecnologias digitais e os textos. Luana Cruz e eu colaboramos com um artigo derivado da tese defendida no Posling CEFET-MG. Mostramos como o plugin de certo ambiente de publicação pode afetar, negativamente, o texto produzido. No caso, há um efeito de padronização e planificação bastante ruim para a criatividade. Vale espiar aqui.