Neste final de junho, tivemos a oportunidade de um encontro de pesquisadoras, on-line, em evento organizado por uma universidade em Jujuy, Argentina. A mesa 37, organizada por três investigadoras – María Belén Riveiro (Argentina), Ana Gallego Cuiñas (Espanha) e eu (Brasil) -, tratou do trabalho editorial e os estudos de gênero, com apresentação de trabalhos de diversas autorias de vários países, por um dia inteiro. Um privilégio de trocas de saberes e informações, além dos afetos.
Dia 25 de maio, no auditório da Academia Mineira de Letras, será lançado o número 83 da Revista da AML, em versões impressa e digital, ambas de distribuição gratuita. Para este número, tive a honra de organizar, a convite do presidente da AML, Rogério Tavares, e juntamente com ele, um dossiê sobre poesia contemporânea mineira/brasileira (porque daqui se vê o mundo).
Reunimos vários e várias ensaístas, a maioria do CEFET-MG, para escrever sobre um importante conjunto de poetas de Minas, mostrando também parte de seus versos. É claro que assumimos riscos nessa escolha, mas toda antologia é também contingente. Que seja um número marcante. Baixe livremente!
Matéria no Pensar, Estado de Minas, sobre o lançamento.
Maio segue acelerado e com várias oportunidades de conversa. Nos estudos de linguística aplicada, as conversas foram no Maranhão e em Roraima, nos dois casos com públicos de Letras bastante interessados nas questões dos multiletramentos e o ensino de língua materna. Nas semanas seguintes, dois eventos em São Paulo capital ali nos entremeios da literatura e da edição. Falar de livro, edição, leitura e literatura está entre as coisas que me deixam feliz e animada, ainda mais se for em companhias tão especiais quanto a profa. Maria Elisa Moreira, o designer Gustavo Piqueira, as poetas tatiana nascimento e Amanda Ribeiro e a editora Renata Farhat Borges (Peirópolis).
Depois de cinco anos escrevendo mensalmente para a prestigiosa Revista Pessoa, já era hora de reunir as crônicas sobre nossas línguas portuguesas em um livro. O título sai pela Parábola Editorial e apresenta 62 textos, quase tudo o que foi publicado eletronicamente de 2017 a 2022.
De assuntos específicos, como uma vírgula, aos mais abrangentes, como sotaques, o livro trata de aspectos do português, em especial o brasileiro, com humor, leveza e paixão. O prefácio é assinado pela cronista e poeta paulistana Mariana Ianelli, que captou muito bem o tom dos textos reunidos. E mesmo se tratando de uma coletânea de textos anteriormente publicados, há enormes chances de eles serem inéditos para a maioria dos leitores, já que a Revista Pessoa permitia 24h de acesso gratuito e depois fechava as crônicas aos seus assinantes.
A coluna temática original se chamava “Ortografia também é gente”, em homenagem ao poeta português Fernando Pessoa. O lançamento do livro acontece primeiro em Belo Horizonte, na livraria Quixote, e depois segue para o Rio de Janeiro, em junho.
Lançamento virtual programado para 30 de maio. Assista!
Hoje em dia é difícil acompanhar os comentários sobre os livros nas redes sociais, mas de vez em quando alguém posta uma foto ou faz um textinho. Agradeço sempre.
Por agora, a notícia é o lançamento no Rio:
Bate-papo com Rodrigo Casarin no Página Cinco, UOL.
As duas primeiras semanas de maio foram intensas, com bancas e eventos, além das aulas e das atividades administrativas no CEFET-MG. Isso sem mencionar a vida de mãe e dona de casa, claro, que absorvem muito. Os temas foram, como sempre, o livro/a edição e os letramentos.
Fiquei feliz por ter sido lembrada para tantas discussões importantes. Todos os eventos foram on-line (e teria sido impossível fazer tudo presencialmente). Em sentido horário, um festival literário em Montes Claros-MG, um curso breve pelo Sesc de São Paulo, um bate-papo em Porto Alegre com o autor e editor Marcelo Spalding e uma palestra no Recôncavo da Bahia. Em todos os casos, agradeço pelo convites e pela mediação: profa. Maria Clara Maciel (Unimontes), Sabrina Paixão e Emily (SESC), Marcelo Spalding (Metamorfose) e profa. Amanda Reis (UFRB).
Há coisas com as quais a gente sonha. Vê na imprensa, vê na tevê, desde criança, e pensa: poxa, será que um dia eu…? Geralmente, são acontecimentos que parecem de outro planeta. E podem ser mesmo.
A Medalha da Inconfidência é uma condecoração que o estado de Minas Gerais dá há décadas (desde meados do século passado, saiba mais), sempre em abril, e independe de quem esteja no governo. É, portanto, uma comenda de estado. De vez em quando ela “agarra”, como dizemos aqui, mas sai. E com ela eu nunca sonhei, de tão de outro mundo que ela me parecia.
Ocorre que, em 2022, eu soube que seria indicada para receber essa comenda. E achei bom, claro, pelo reconhecimento do meu incansável trabalho de formiguinha na cultura e na educação. Mas também achei curioso, engraçado, meio estranho: será que é comigo isso, gente?
Um amigo, ao saber dessa comenda, me mandou uma mensagem pelas redes sociais em que dizia: Ana Elisa provando que trabalhar muito compensa. Bem, eu logo corri para dizer a ele que mais ou menos. Não sei realmente se compensa, mas de vez em quando alguém nota. E faz tempo que eu decidi que trabalharia muito, muito. Tanto, mas tanto que seria difícil ficar tão invisível, ser tão ignorada. Mesmo assim, não é sempre que alguém percebe, ou seja, não é linear e nem é o tal do “mérito”, falácia em que alguns caem.
Receber a Medalha da Inconfidência, uma honraria que o estado de Minas Gerais oferece, nunca esteve no meu horizonte. Não sou herdeira de intelectualidade alguma, não nasci em berço dourado, moro longe da zona mais prestigiosa da cidade. Tudo isso sempre me pareceu longínquo, mas… quando acontece uma coisa assim, a gente chega a pensar que é possível intervir, é possível ter voz (e letra).
A Medalha foi entregue com atraso de cerca de 1 ano, no salão nobre da Assembleia Legislativa de Minas Gerais – ALMG, dia 18 de abril de 2023. Meu filho esteve lá comigo e tirou umas fotos, além de me ver com o colar de tecido vermelho.
Aqui está um vídeo da TV Assembleia no dia da entrega. Posto abaixo uma foto oficial tirada pela equipe de lá.
Estou grata à comissão que fez minha indicação em 2022; sei que isso partiu da Academia Mineira de Letras, instituição à qual também estou grata; e estou tranquila que isso não passe por uma decisão de quem, afinal, não gosta nem de cultura nem de educação, que são as duas áreas às quais me dedico enormemente.
Nas últimas semanas, três textos que escrevi, todos com jeito de crônica, foram publicados em três espaços que respeito muito. O Blog da Parábola Editorial, minha editora do coração; o jornalRascunho, onde tenho uma coluna fixa mensal; e a Revista Ponte, que publica divulgação científica de primeira. Cada texto teve sua lavra, mas explico assim (todos são de acesso aberto e gratuito):
O texto da Revista Ponte resulta de uma fala em um evento acadêmico. Me deu vontade de registrar o que eu disse, então escrevi nesta forma mais livre do que um texto mais acadêmico. Está em uma revista que faz divulgação da ciência, o que considero sempre muito bem-vindo. Trata-se de um texto sobre a revisão de textos literários.
A crônica do Rascunho valeu como um desabafo, depois de algumas ocorrências de violência extrema em escolas brasileiras. Sabemos que há violências nas escolas todos os dias, de muitas maneiras, desde sempre, mas estamos assistindo a algo muito mais radical e complexo. Este texto breve e intenso, intitulado “Há quem agradeça“, circulou bastante e recebi muitos apertos de mão por ele.
O texto que saiu no Blog da Parábola foi escrito num jorro, depois que passei muitas semanas pensando nos processos com meus estudantes do ensino médio, para os quais ministro aulas de Redação, toda quarta-feira. O editor da Parábola perguntou e eu lasquei esta reflexão sobre aprender a escrever melhor, em três passos.
Não importa muito o quê. Gosto muito de escrever, de sentir que estou tecendo um tapete de fios muito juntos, mas também muito claros. Se serve bem às pessoas que leem, melhor ainda.
A semana será animada, ao menos no projeto de extensão Aula Aberta, que voltou com tudo nas atividades presenciais e vem tratando dos temas da edição. O escritor Luca Creido (BH) e a designer Gabriela Araújo (Recife, PE) são os convidados das duas próximas rodadas. O evento é aberto ao público, gratuito e emite certificados. No caso da Gabriela, será on-line (no canal do Aula Aberta) e as inscrições devem ser feitas aqui.
Há alguns meses, recebi o generoso convite para escrever com duas admiradas colegas pesquisadoras: Jaqueline Lé (UFRB) e Úrsula Anecleto (UEFS), ambas de universidades baianas, linguistas dedicadas. É claro que minha contribuição ao tema da desinformação ou da desordem informacional seria pequena, mas elas toparam mesmo assim e lá fomos nós participar do dossiê do prof. Júlio Araúj0 (UFC), publicação da importante revista Linguagem em Foco (UECE). Nosso texto é este.
Em abril, foi o momento de celebrar, reunir pessoas e falar dos textos. Participamos as três de uma live do Digital, grupo de pesquisa da UFC coordenado pelo Júlio. Foi muito legal e contou com um público interessado, mesmo em véspera de feriado.