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Trajetória indisciplinar nos estudos de edição, Tradução

Neste número da revista Gutenberg (UFSM), especializada em produção editorial, publico a tradução de um texto da professora colombiana Paula Marín Colorado, do Instituto Caro y Cuervo e Universidad de Antióquia, uma das grandes estudiosas do tema na América Latina.

Paula esteve no CEFET-MG em 2023, a nosso convite, para um curso rápido no Posling e uma participação no I Encontro da Red Latinoamericana de Cultura Gráfica e III Rastros Lectores, organizado localmente pela UEMG e pelo CEFET-MG. Traduzir este texto dela foi uma das ações combinadas. A publicação na revista Gutenberg coroa o trabalho.

Registro também minha participação na organização deste número, a convite da querida colega Cláudia Bomfá.

2023 off, 2024 on

O finalzinho de 2023 ainda guardou algumas surpresas… mais ou menos surpreendentes. Tive encomendas legais ao longo do ano e sabia, claro, que alguns textos estavam em fase de editoração, mas não tinha certeza de quando viriam à luz. E alguns vieram. Um deles foi minha crônica mensal no jornal Rascunho, que deu uma atrasada atípica, mas rolou. Exímio datilógrafo é um texto cheio de memória e afeto.

[Troquei meu teclado de computador por um novo, mas como isso me irrita! Gente do céu! Alguns sinais mudam de lugar e eu fico feito doida. Cadê minha interrogação? (Vejam que já achei) E este Delete pequeno? Afff, mas vamos nessa. O outro estava com as teclas “agarrando” e digitava um monte de aaaaa e eeeee e as pessoas achando que eu sou muito efusiva na hora de escrever. Não, gente, era só um teclado gasto.]

Bem, eu já tinha registrado aqui a publicação do número novo da revista argentina Intersticios, de Córdoba, que me deu uma alegria grande porque também coroa uma colaboração e um posdoc que andei fazendo por lá. Adoro fechar contas e passar réguas.

Quando dezembro já anoitecia, e quase já nascia 2024, eis que saem mais dois textos: a tradução de um relato da professora colombiana Paula Marín Colorado, da Antioquia, sobre sua trajetória indisciplinar nos estudos de edição, pela revista Gutenberg (UFSM), e um relato meu sobre editar na pandemia pela revista Contexto, da UFES, a convite do querido Vitor Cei e a partir de um evento de que participei por lá.

Fechando com chave-de-ouro me aparece um e-mail da revista Cadernos de Linguística, da Abralin, para dizer que “Educação e tecnologias digitais na pandemia: ciclos da precariedade” foi um dos 5 artigos mais baixados/lidos de 2023. Tomara que as pessoas descubram que ele tem uma continuação!

2023 foi produtivo, mas me deixou na boca um gosto de desorganização e correria que eu não quero que se repita em 2024. A ver. Tem coisa que engole e atropela a gente, né? Vamos tentar controlar. Que seja um ano novo feliz para todos*as.

Escritoras, editoras y agentes, na Intersticios

A revista argentina Intersticios acaba de sair com um dossiê intitulado “Escribir en-desde el intersticio: resistencias y transgresiones escriturales en América”, organizado pela editora convidada profa. Magdalena González Almada, da Universidad Nacional de Córdoba. É uma enorme alegria ter um artigo aprovado nesse contexto, resultado de pesquisas sobre edição e gênero. O texto está em acesso aberto e pode ser baixado aqui.

Las mujeres y los estudios del libro y la edición en iberoamérica

Este livro lindíssimo, um volume de algumas centenas de páginas, organizado pela profa. Marina Garone Gravier, da UNAM, reúne pesquisadoras de várias partes do mundo que investigam a edição e as mulheres. Contribuí com o capítulo intitulado “Editoras brasileñas en el siglo XX: un legado bajo raros rastros”, que escrevi com enorme gana, a partir das investigações que temos feito no CEFET-MG, fomentadas pela Fapemig. O volume foi publicado por um hub de editoras universitárias e pode ser adquirido na Uniandes, da Colômbia.

Notícia e entrevista com Marina Garone Gravier no El Universal, do México.

No Excelsior, um dos mais importantes veículos mexicanos.

E nosso livro segue sendo lançado América Latina adentro. Agora será na Feira do Livro Universitário:

A apresentação do livro na FILU México pode ser assistida aqui.

Marina Garone fala ao podcast A pie de pagina. Ouça.

Apresentação na Feira do Livro de Bogotá.

Fim de ano, energia no volume morto

Escola. Final de ano é sempre meio que isto: reuniões, correria, notas, gente em desespero, professores exaustos, todo mundo exaurido. Por quê? Fico pensando, nos meus breves segundos de revolta. Depois retomo o lançamento das notas e frequências, os e-mails tirando dúvidas. Você organiza tudo (sou bem virginiana, a louca das planilhas), oferece atendimento, mas as pessoas às vezes não respeitam. Elas pintam fora do horário do atendimento, querendo soluções que muitas vezes são mágicas. É um universo em que sempre é possível ser flexível, mas querem sua permissividade; é sempre possível ter dó, mas aí a gente é que se lasca. É isso. É querer ser educadora, mas viver no limite da injustiça. Paciência. Há mais de 25 anos sou professora, nunca aprenderei direito.

Já tivemos, só neste mês, reuniões, uma das quais teve quatro horas de duração. É teste de resistência, não? Imagina? O trabalho não nos deixa trabalhar. Essa é uma das esquizofrenias da escola, o que ela faz conosco. E por cima das reuniões já marcadas, alguns vêm querendo mais reuniões; reuniões para fazer outras reuniões. É horripilante. Um universo realmente terrível de camadas de exigências estranhas. Isso sem falar nas aulas finais, nas despedidas, que de vez em quando são boas. Me despedi de uma turma bonitinha de ensino médio, com chororô e tudo; me despedi de orientadas; me despedi de estagiárias; me despedi de colegas; me despedi de professoras que vieram fazer a pós-graduação. De outro lado, dei as boas-vindas a algumas pessoas, essas que foram aprovadas agora e darão sequência aos estudos. É o fim e é sempre o começo.

Exausta. Estou exausta. A única coisa que penso é que quero corrigir minha rota (porque algumas circunstâncias me pegaram no contrapé), quero juntar energias para escrever e fazer o que gosto nas férias, quero ter férias do jeito que quero tê-las, sem negociar com ninguém (porque passo cada minuto do ano negociando) e quero me cercar sempre de gente inteligível, transparente, que joga o jogo limpo e ético. Nem sempre é possível e as escolas, como todo ajuntamento de gente viva, às vezes parece um serpentário. Bom, mas a gente sempre fica sabendo o que não é legal e o negócio é se blindar, para continuar fazendo o que é bom para quem veio buscar coisas boas neste espaço.

Calor. O calor é intolerável. Sou 40% menos produtiva quando faz calor. Mas janeiro há de ser de ventiladores ligados e energias dedicadas às coisas para as quais minha energia vai sem dor, em bocados prazerosos. É claro que não dá para viver o tempo todo assim. Nossa sociedade não gosta disso. Os colegas também não. É uma perturbação frequente, gente que toma conta da vida dos outros, enquanto definha. No calor mesmo, vamos tirar férias e sossegar. O que são férias para você? Eu as defino assim: não ter horário. Acordar quando acordo, comer quando tenho fome, beber quando sinto sede, dormir quando sinto sono. Com filho grande já dá para alcançar essa graça. Vejo na tevê a notícia de que os hotéis estão com 100% de ocupação não sei onde, as filas, os voos lotados (e caros! como nunca!), aquela multidão escorrendo junta pelas mesmas ruelas. Só penso: que bom não estar aí! Passo o ano todo negociando coisas e horários que não são meus, a rigor. Sendo usada aqui e acolá. Minhas férias… dá licença! Farei o que quiser delas. E só com quem eu escolher. Boas festas e que você possa também escolher.

Molla em Lisboa

Num susto, me chamaram para participar da Mostra do Livro Latino-Americano em Lisboa, com leitura de contos do meu livro novo, o Causas não naturais (Autêntica Contemporânea, 2023). Mas é pra já!

O evento rolou na última semana de novembro e teve transmissão ao vivo. Consegui acompanhar um pouquinho. Cavando futuros, vejamos…

Mulheres que editam

O terceiro título da nossa Entretantas Edições saiu em grande estilo, com lançamentos durante o encontro da Intercom, em setembro de 2023, na PUC Minas, e no encontro da Red Latinoamericana de Cultura Gráfica, organizado pela UEMG e pelo CEFET-MG, também em setembro. Também teve lançamento em novembro, durante o FLIBH, e seguiremos fazendo festa por onde ele passar.

A obra foi escrita por várias autoras, durante uma disciplina do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens do CEFET-MG, no primeiro semestre de 2023. As organizadoras fomos Cecília Castro, eu e Samara Coutinho. O resultado são 125 verbetes que tratam de mulheres que editaram e editam no Brasil. E isso é pouco.

O livro logo poderá ser baixado na versão pdf, em acesso aberto. O impresso pode ser comprado diretamente com a editora.

Olha ele aqui, ó:

O que saiu no blog do Nespe.

Comentário luxuoso da profa. Marisa Midori Deaecto no Jornal da USP.

Importante registrar parte do processo de edição. Foto da Ana Cláudia.

Resenha de Priscila Branco na revista Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea (UFRJ), em 2024.

Metamorfoses

Conheci o Marcelo Spalding pelos trabalhos publicados dele e na Internet. Num desses papos, ele me fez um convite para oferecer um módulo do curso de escrita que ele oferece em Porto Alegre, mas de modo remoto. Topei.

Foi uma grata surpresa encontrar tanta gente animada e disposta a um papo interessado sobre a literatura contemporânea escrita por mulheres no Brasil. E eu tinha muito o que falar e contar a respeito disso.

Foram dias de boas reflexões sobre romances, contos, crônicas e poesia, pensando em autoras, editoras e lógicas de mercado. Um bom termômetro para saber o que é mais e menos conhecido. Isso sem contar os momentos de compartilhar leituras. Um privilégio nosso. Que venham novas turmas.

Novembro desacelerando

Que cansaço! Chega esta época, a gente já está pedindo arrego. Só penso em dormir. E dei o azar de viver este calorão fora do normal em BH, ao ponto de ter dificuldades para pegar no sono. Logo eu!, que sou boa de cama. 🙂

Hoje formei mais uma mestra em Estudos de Linguagens, a Isabella Ferreira, com um belo trabalho sobre as escritoras negras nos livros didáticos brasileiros de PNLDs recentes. Ou a ausência delas… Uma banca luxuosa comentou o trabalho e pronto: mais uma professora da educação básica altamente qualificada. Alegria! Emoção!

Na sequência será a vez da Nelma Monfardini, que foi nossa aluna de graduação em Letras e já vai se formar mestra. Outra banca luxuosa nos aguarda com comentários que só melhorarão a versão final do trabalho.

Temos ainda as aulas que encerram o ano, com seminários e entregas de textos; cursos breves; processo seletivo da pós; encontro do grupo Mulheres na Edição; e faz um ano que recebi o Jabuti Juvenil! Como passa rápido! Pegando aqui um fôlego para finalizar o ano. 2024 promete!

Próximas falas

Novembro já vai dando uma sensação de desaceleração. É meio ambíguo. O final de ano é sempre tenso e corrido, mas a quantidade de aulas começa a sossegar. Para os próximos dias, além de uma participação em um importante seminário mexicano (tratando da formação em Edição no Brasil) e de um curso rápido sobre edição de literatura contemporânea escrita por mulheres, vou falar no Ciltec, um evento da UFMG que me fez um convite muito legal.

Não é um bom papo? Estou aqui preparando o material e conciliando com as semanas finais dos cursos que ministro regularmente no CEFET-MG.

Aliás, a palestra já pode ser vista aqui.

Ah, e para fechar os trabalhos, bancas e duas defesas bonitas que mestrandas que tive a alegria de orientar. Um trabalho sobre a tarefa especializada da redação e revisão de documentação técnica e outro sobre a presença de escritoras negras nos livros didáticos aprovados pelo MEC em anos recentes. Melhorou algo? Estamos caminhando?

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Ana Elisa • 2020