Sempre tem textos interessantes para a gente analisar, pensar, ler e escrever sobre. Isso é infinito, ainda bem. A linguagem é nossa ambiência. E isso me encanta muito, desde criança.
Este vídeo sobre a Bertha Benz, por exemplo, me encantou. Chegou às minhas lentes pelo WhatsApp, daí fui procurar em algum canal oficial da Mercedes-Benz. Estava lá. E, sim, é um texto, claramente, de alto nível de multimodalidade, porque trato a multimodalidade (a) como inerente e constitutiva de todo texto (como Gunther Kress insistia em afirmar) e (b) como uma gradação, uma paleta, um continuum.
Além do aspecto textual e discursivo que podemos analisar aí, há também a questão das mulheres, que figura muito neste texto e que muito me interessa também. Vamos curtir!
Há vários anos oriento trabalhos de graduação, especialização, mestrado e doutorado. Nem sempre é muito fácil chegar a um desenho metodológico legal, redondo e convincente.
Tenho colegas que oferecem excelentes cursos de Metodologia do Trabalho Científico e sempre peço aos meus orientandos que se matriculem.
Mas às vezes aquelas metodologias prontas, encontradas nos livros, não são suficientes para a pesquisa. De vez em quando, alguém investiga um problema tão inusitado ou novo que não adianta apenas ler obras da biblioteca, aquelas já velhinhas. Serve, mas é preciso muito contorcionismo para chegar a um bom termo.
Acontece também no nível da linguagem. Certas teses e dissertações têm uma linguagem que não combina com aquele capítulo metodológico padrão. Fica uma quebra estranha, como se o/a pesquisador/a tivesse saído de sua programação normal ou mesmo fica artificial, com aquele jeito de “cumprir a tabela”. Em alguns casos, acho um desperdício.
Quando isso acontece, eu recomendo: Vai ler o Hissa. Nesse livro, ele ajuda muito a repensar pesquisa e metodologia. E é libertador também, encorajador, sem deixar de ser responsável e sério. Sempre vale a pena.
Meu primeiro semestre letivo de 2020 deveria ter terminado em junho do mesmo ano. Com a pandemia e a subsequente suspensão do calendário do CEFET-MG, o primeiro semestre letivo teve reinício em agosto. E lá vamos nós recomeçar.
Na pós-graduação, eu tinha uma turma de alunos/as regulares de mestrado e doutorado e vários/as alunos/as especiais (isolados/as). Tratávamos de letramento e formação de professores/as. E já tínhamos lido e debatido alguns textos. Paramos no auge do debate sobre uns livros e textos da profa. Magda Soares.
Para retomar, diante da situação de ensino remoto, resolvi trazer a própria Magda para nossas aulas. Muito melhor do que eu mesma repetindo a referência, né? Quanta intimidade! Em vez de simplesmente lermos seus textos e os comentarmos, resolvemos trazer sua voz, sua fala, quase sua presença para nosso papo. E que interessante!
Indiquei dois vídeos para a turma. O primeiro é de 1997!, proposição do Ceale, nas dependências da Faculdade de Educação da UFMG. Magda usa, meio desajeitadamente, transparências e um retroprojetor. O segundo vídeo é recentíssimo. Foi a participação dela, em 2020, no ABRALIN AO VIVO. Ela havia acabado de dar essa conferência, diretamente de sua casa, para milhares de pessoas, cada uma em seu canto. O evento teve um alcance incrível e a professora, desajeitadamente, usava um computador conectado à internet.
Magda deu aulas para nós. O debate em nosso fórum ferveu. A turma comentou coisas interessantes não apenas sobre letramento, alfabetização, alfabetismo, literacia, etc., mas também sobre as condições tecnológicas de cada vídeo, de cada tempo, e o que a professora disse em um e em outro. Foi rico. E os textos que ficaram ali no fórum (dentro do ambiente do Sigaa que a instituição usa) não queriam ser abandonados. Uma aluna mandou uma mensagem perguntando: “teremos acesso a esses textos depois?”. Era saudade daquela riqueza toda.
Há mais de uma década, oriento trabalhos de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens do CEFET-MG. Antes disso, orientei pesquisas de iniciação científica e de trabalhos de conclusão de curso (de graduação e de especialização), tanto no CEFET-MG quanto em outras instituições de ensino. Em anos mais recentes, com a aprovação do curso de doutorado, passei também a orientar pesquisas nesse nível e a receber pesquisadores/as em estágio pós-doutoral na instituição.
Muitos trabalhos foram defendidos sob minha supervisão, mas contando com grande diligência dos/as estudantes envolvidos/as. Tenho muito orgulho de ter participado das trajetórias de vida e profissional dessas pessoas, que dividiram comigo, na maioria das vezes, mais que tempos de aula, leitura e escrita.
Atualmente, oriento mestrandos/as e doutorandos/as das linhas 3 e 4, isto é, em linguagem, educação & tecnologia e em estudos de edição. Alguns aparecem aqui embaixo:
Marta Rocha Costa estudou textos e embalagens, ‘modos de fazer’, na ‘4
Emerson Campos fez relações com o jornalismo
Flávio Fargas estudou três obras do ilustrador Roger Melo, pela ‘4
Camila Gonzaga estudou a reescrita do texto webjornalístico
Luana Macieira estudou o texto jornalístico de divulgação científica
Adriana Gonçalves estudou os livros-álbum de Renato Moriconi na ‘4
Joubert Amaral estudou as feiras literárias brasileiras pela ‘4
Lucas Mariano fez uma proposta de adaptação das fanfictions ao ensino, ‘3
Flávia Denise estudou as feiras de livros independentes pela ‘4
Viagem à Intercom do Rio com parte da turma da pós, em 2015
Depois de passar por algumas escolas da rede privada, em BH, com destaque para duas experiências interessantes: Companhia do Ensino e Escola da Serra; de trabalhar como professora contratada ou substituta na PUC Minas Coração Eucarístico e na Faculdade de Letras da UFMG; de atuar como professora e coordenadora de área de língua portuguesa no Centro Universitário Una; e de ser editora assistente ou assistente editorial nas editoras Lê, Formato, Cooperativa Médica e Del Rey… fiz um concurso que mudou as condições da minha vida e do meu trabalho.
No Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG, comecei como professora do ensino médio, mas logo migrei para as graduações em engenharia. Não havia o Departamento de Linguagem e Tecnologia, muito menos os cursos de Letras e de pós-graduação. Já havia a especialização em Linguagem e Tecnologia, onde também atuei, ficando responsável pela reformulação do curso.
Do site oficial, entrada principal do campus I, em BH
Dei aulas de português para fins específicos nas engenharias por cerca de cinco anos, lá também orientando bolsistas de Iniciação Científica e monitores do Laboratório de Cognição e Linguagem, tudo no campus II (são três campi em Belo Horizonte e oito no interior de Minas). Trabalhei diretamente na Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação, atuando como coordenadora de divulgação científica e tecnológica, editora da revista científica Educação e Tecnologia (reformulando-a) e como organizadora de dois grandes e tradicionais eventos da instituição: a Semana de Ciência e Tecnologia e a Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META).
Enquanto isso, fazia doutorado na UFMG, pesquisava e escrevia, atenta também à movimentação dos cursos de especialização em revisão e em edição na cidade. Minha tese teve grande apoio do CEFET-MG.
Participei da escrita da graduação em Letras e dos cursos de pós (mestrado e doutorado em Estudos de Linguagens) e fui professora em todos eles, em suas primeiras etapas, às vezes dando disciplinas fora de minhas especialidades. No Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens, fui coordenadora algumas vezes e ainda atuo como vice do professor Renato Caixeta.
Mais de dez anos passados, atuo mais estavelmente ministrando aulas de Redação no Ensino Médio, disciplinas de edição no bacharelado em Letras (Tecnologias da Edição) – em especial a matéria ‘de degustação’ Contexto Social e Profissional – e disciplinas das linhas 3 e 4 no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens (Posling).
Nos anos recentes, ofereci oficinas de revisão de textos e uma disciplina sobre Mulheres na Edição no curso de Letras. Coordeno também ali o projeto de extensãoAula Aberta.
Na pós-graduação, alterno disciplinas de edição (‘4) e sobre letramento e educação (‘3), nas quais oriento pesquisadores e pesquisadoras, bolsistas ou não. Também supervisiono pesquisadores/as em estágio pós-doutoral.
Do site oficial
O CEFET-MG é uma instituição centenária, multicampi e com milhares de estudantes, em três níveis de ensino. Tem vocação nas ciências exatas, desde sua origem, claro, mas, nos anos mais recentes de sua história, passou a investir na diversificação de sua oferta e no diálogo com as áreas de educação, linguagens e tecnologias, no que fomos bem-sucedidos/as.
A carga de trabalho é intensa, a vida não é fácil, mas a maravilha de atuar em uma escola pública, gratuita e de qualidade nos dá força e coragem para os empreendimentos que temos feito lá, que sabemos ser todos de impacto social e econômico importante. Nestes anos de existência de nossa área de Letras, temos noção do quanto movimentamos o espaço à nossa volta e a vida de muitas pessoas.
Formatura de uma das turmas de Letras, 2019
Muita coisa boa e interessante acontece no CEFET-MG, que obteve nota máxima na avaliação mais recente do MEC. Não podia ser diferente. Vejamos uma das mais recentes, em comemoração aos 150 anos da tabela periódica.
Temos sempre muito o que melhorar, claro. Não é simples manter uma instituição grande e diversa. Mas temos caminhado democraticamente e em clima de colaboração.