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Mulheres na Edição – O que lemos?

O grupo de estudos e pesquisas Mulheres na Edição iniciou suas atividades presencialmente, nas salas de aula do campus Nova Suíça do CEFET-MG, no segundo semestre de 2018, depois da aprovação do projeto de pesquisa sobre mulheres que editam em Minas Gerais (e no Brasil), financiado pela Fapemig por vários anos. Desde aquele momento, começamos a ler ao menos um texto por mês sobre temas que tocam diretamente as questões de gênero e edição, passando pela literatura e pela escrita, pela interseccionalidade e pelos feminismos. Registramos a iniciativa na plataforma de GPs do CNPq e cadastramos as pessoas interessadas. A inscrição para receber os links dos encontros e participar das conversas é feita por e-mail (anadigital@gmail.com), de maneira simplificada. O grupo teve crescimento exponencial durante a pandemia da covid-19 e hoje conta com mais de 400 pessoas cadastradas.

O MulhEd foi coordenado pelas professoras Ana Elisa Ribeiro (líder), Renata Moreira e Maria do Rosário Alves Pereira até meados de 2025, quando as duas últimas decidiram partir para novas empreitadas. No lugar delas, entrou Sandra Dias Lucindo, pesquisadora e servidora do CEFET-MG.

De tempos em tempos, alguém pergunta pelos textos anteriormente lidos no grupo. Às vezes, pessoas novas indicam obras que já foram abordadas, mas que não estão numa memória explícita para quem está e para quem chega. É o que vamos corrigir aqui.

Na lista a seguir, estão quase todos os textos lidos pelo grupo, não exatamente na ordem de leitura, desde os encontros sistemáticos de 2019, a maioria com links de acesso aberto. Quando não é isso, indicamos a compra, dando preferência às editoras, se possível. Em alguns meses, fizemos eventos com convidadas e convidados, e nem sempre o texto está disponível. Esses eventos podem ter ficado gravados no YouTube do MulhEd. Faremos o máximo para manter esta lista atualizada. Boa navegação!

2026

Disidencia, resistencia y reposicionamiento: la actividad editorial entre dictadura y democracia. Mujeres editoras, de Gustavo Bombini, no Cuaderno 107 do Centro de Estudios en Diseño y Comunicación da Universidad de Palermo, Argentina.

Design no patriarcado, de Cheryl Buckley com tradução de Mariana Delfini, pelas editoras Bikini Books e Clube do Livro do Design.

2025

Desigualdades de gênero no subcampo científico da comunicação: o teto de vidro no quintal, de Milena Freire de Oliveira-Cruz e Laura Wottrich

Editoras Pallas, Corrupio e Mazza: pioneirismo e publicação negra no Brasil, de Ana Elisa Ribeiro e Maria do Rosário Alves Pereira

Teoría feminista y práctica editorial: una cuestión posthumana, de Gabriela Méndez Cota

La feminización en las bibliotecas estadounidenses: investigación bibliográfica, de Esther Carreño Corchete

O Brasil que lê: bibliotecas comunitárias e resistência cultural na formação de leitores, de Cida Fernandez, Elisa Machado e Ester Rosa

Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo, de Gloria Anzaldúa

Entre o livro e o leitor: o editor e a forma das ideias, de Adriana Thomazotti Claro

Perfil das protagonistas na literatura jovem (2010-2019): uma análise de narrativas das editoras Galera e Verus, de Laura Conrado Dias de Oliveira

Julia Codorniu (1854-1906) o cuando la literata se hace editora, de Sylvie Turc-Zinopoulos

6ª edição Retratos da Leitura no Brasil, de Instituto Pró-Livro (coord. Zoara Failla)

2024

O protagonismo de três mulheres na edição universitária brasileira, de Gabriella Noronha Pinto e Sérgio Antônio Silva

A língua serpente em Mar Paraguaio, de Wilson Bueno, de Jorgelina Tallei e Ana Elisa Ribeiro

Harriet Martineau – Como observar: morais e costumes – “Casamento e mulher” e “Crianças” e Harriet Martineau – Sociedade na América – “A não existência política das mulheres”, de Harriet Martineau

Literatura infanto-juvenil: para que fazer?, de Ana Maria Clark Peres

As poetas africanas de língua portuguesa, de Paulo Geovane e Silva

Niños insoportables: infancias, literatura y prácticas al margen, de Angela Patricia Melo Arévalo

La literatura infantil como un sitio de violencia lenta, de Macarena García González e Justyna Deszcz Tryhubczac

Victoria Ocampo, Concentrado de tensões, de Karina de Castilhos Lucena

Elas editam – História editorial e arquivos vivos na Colômbia, de Paula Andrea Marín Colorado

Catapoesia – Confluências entre a metodologia da editora cartonera e os princípios da tecnologia social em propostas coletivas de edição, de Sol Barreto

Femedição – Por uma práxis editorial feminista ibero-americana, de Ana Gallego Cuiñas

Investigación de la participación de la mujeres en sector editorial latinoamericano, CERLALC Relatório

2023

Plataformização da indústria cultural: produções contingentes no Amazon Kindle Unlimited, de Luana Teixeira de Souza Cruz e Pollyanna de Mattos Moura Vecchio

Ecofeminismo, de Maria Mies e Vandana Shiva

Apuntes para pensar el campo editorial en clave feminista. El caso argentino contemporáneo, de Daniela Szpilbarg e Ivana Mihal

Mulheres-editoras-independentes e as edições de si, de Letícia Santana Gomes

A representação da igualdade de gênero nas capas de livros infantis do clube de assinatura Minha Pequena Feminista sob o foco da GDV, de Jaíne Reis Martins e Flaviane Carvalho

La cuestión del género: propuestas olvidadas y desafíos críticos, de Sylvia Molloy

Romper tipos: mujeres editoras, Universidad Veracruzana

El papel de los agentes literarios en las dinámicas del campo, el caso de Brasil en la actualidad, de Carmen Villarino Pardo

Editora Rosa dos Tempos e Editoras Mulheres: pioneirismo nas questões de gênero no mercado editorial brasileiro, de Maria do Rosário Alves Pereira e Luanna Luchesi

A obrigação de ser genial, de Betina González (e matéria na Piauí)

O lugar das palavras, de Vanessa Ferrari

2022

Uma editora só para si: feminismo e edição independente no Brasil contemporâneo, de Luciana Aragão Soares (cap. 2 e 3)

A história oculta da fofoca mulheres, caça às bruxas e resistência ao patriarcado, de Silvia Federici

Reflexiones sobre la noción de catálogo y colección editorial. Dispositivos y estrategias para la producción de sentidos en el mundo del libro, de María Eugenia Costa e Marina Garone Gravier

Um feminismo decolonial, de Françoise Vergès

O que não é um autor. Fundamentos conceituais e estratégias críticas para desautorizar as escritoras, de Aina Pérez Fontdevila

Escritora, editora, lectora. La condición triangular de las letras afrohispanas a través de la práctica editorial de Remei Sipi Mayo, de Mayca de Castro Rodrígues

“Antes era só ler, hoje em dia é ler e comentar”: leituras compartilhadas pela internet nos clubes Leia Mulheres, de Jean Silveira Rossi

Cânone e liberdade, de Susana Scramim (Indisponível na web)

Mulheres nos quadrinhos: invisibilidade e resistência, de Carolina Ito Messias e Giulia Crippa

2021

Problemas de gênero, de Judith Butler (cap. 1)

O mito da beleza, de Naomi Wolf (cap. 1)

Leituras feministas no Brasil e na Argentina: circulações e apropriações, de Joana Vieira Borges

Ausências e estereótipos no romance brasileiro das últimas décadas: alterações e continuidades, de Regina Dalcastagnè

Aprendendo com a outsider within*: a significação sociológica do pensamento feminista negro, de Patricia Hill Collins

Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial, de Rita Laura Segato

Gênero, história das mulheres e história social, de Louise A. Tilly

Prezada editora, Mulheres no mercado editorial brasileiro, de Ana Elisa Ribeiro, Renata Moreira e Maria do Rosário Alves Pereira

2020

Armas cargadas de futuro. Hacia una historia feminista de la edición en Argentina, de Daniela Szpilbarg

Intelectuais negras, de bell hooks

Teorias feministas da política, empiria e normatividade, de Flávia Biroli

Esther Tusquets: la práctica editorial como praxis feminista, de Marta Simó-Comas

O direito de ler e escrever, de Sílvia Castrillón

A categoria político-cultural de amefricanidade, de Lélia Gonzalez

Epistemologia feminista, gênero e história, de Margareth Rago (capítulo do livro de Pedro, Joana; Grossi, Miriam (orgs.) Masculino, feminino, plural. Florianópolis: Editora Mulheres, 1998, indisponível na web)

Por uma história editorial da poesia negro/afro brasileira, de Fabiane Cristine Rodrigues

Notas sobre o mundo social do livro: a construção do editor e da edição, de Nuno Medeiros

Por uma crítica feminista, de Eurídice Figueiredo

Rumo a um feminismo descolonial, de María Lugones

Um corpo negro, de Lubi Prates

Mulheres em movimento, de Sueli Carneiro

2019

Feminismo e literatura no Brasil, de Constância Lima Duarte

Como ter sucesso nas artes sem ser um homem? Manual para artistas mulheres do século XIX, de Séverine Sofio

O que é lugar de fala?, de Djamila Ribeiro

Um teto todo seu, de Virginia Woolf (Há outras edições brasileiras)

2018

Atividades iniciais do grupo presenciais

Pitch para a Fapemig

Desde 2018, o grupo de estudos e pesquisas Mulheres na Edição contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, a Fapemig, como financiadora única do nosso trabalho, em especial nosso projeto de pesquisa que mapeia mulheres que editam em Minas Gerais (e além). Somos um grupo de estudos que começou mais ou menos com a proposta de um clube de leitura: escolheríamos um texto por mês para ler. Os encontros seriam mensais e teríamos condições de comentar nossas leituras e dialogar sobre elas.

Bem, a despeito de toda a forçação para que paremos de estudar e de fazer o que realmente interessa, o fato é que o grupo resiste bravamente e está em atividade até hoje. Ou seja, são aproximadamente sete anos ininterruptos de leituras, mais de 60 textos/encontros e vários aniversários comemorados. As coordenadoras somos eu e as queridas colegas Rosário Pereira e Renata Moreira, ambas do CEFET-MG. É um grupo dedicado e propositivo, que fez e publicou muita coisa nesses anos, além de reunir muita gente (mais de 400 inscritos/as) em torno do tema das mulheres no mercado editorial, de forma pioneira no país. Somos bastante reconhecidas dentro e fora do Brasil e fazemos parte de redes por aí que estão atentas ao nosso trabalho.

Ao finalizar nosso projeto junto à Fapemig, passamos aquele aperto da prestação de contas (porque é burocrático mesmo) e ainda tive de fazer um pitch, que é um vídeo curto que resume bem o que aconteceu no projeto.

Poxa, como foi difícil! O primeiro pitch a gente nunca esquece! Lá vai ele, que não me deixa exatamente orgulhosa pelo visual, mas sim pelo trabalho importante que nosso grupo fez ao longo dos anos.

Bancas em 2025

Começou a temporada das bancas! Início de ano e muita gente precisa se qualificar ou defender seus trabalhos. Com a greve das federais, no ano passado, os calendários estão desencontrados e é uma luta (maior ainda) conciliar as agendas.

Tenho algumas orientandas que estão para defender suas teses e dissertações. Duas já marcaram os ritos e estamos animadas com o que vai acontecer. Duas trajetórias muito diferentes, ambas desafiadoras, porque, como eu sempre digo, todo mundo é adulto nesta fase da vida. Não há trilhas fáceis. Isso é uma ilusão até meio ingênua. O que tenho feito é acompanhar as jornadas das pessoas com o máximo de atenção que eu consigo.

Tem sido muito gratificante, mais do que outra coisa, fazer parte das histórias dessas pessoas, em sua maioria mulheres. 2025 já começou!

Meu outro papel é fazer parte de bancas de colegas de outras instituições. Estou aqui na luta com a agenda e já tenho quatro ou cinco em vista, em vários cantos do país. Esses convites me alegram, me lisonjeiam. Espero poder colaborar e comemorar junto. A primeira do ano foi na UFRGS, qualificando um trabalho em Escrita Criativa, aliás, um romance (é a tese). As demais virão aí: Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Já arrancamos! Sucesso a todas e a todos!

Mulheres na edição, mais

Novembro já avança. O mês ainda promete muitos eventos e atividades. Uma delas será nossa leitura do texto “Femedição”, da colega espanhola Ana Gallego Cuiñas, que tem escrito sobre edição independente e feminismos, entre outras coisas. Fiz esta tradução com gosto. O projeto tem uma história tortuosa, de desistências, inclusive, mas afinal o texto traduzido saiu em um belo dossiê da revista Eco-Pós que organizei com a querida Isabel Travancas, colega da UFRJ. A leitura do mês no grupo Mulheres na Edição será esta.

Manualzim de etiqueta básica em 21 dicas para bancas

As bancas de mestrado e doutorado são parte da nossa missão como pesquisadoras e docentes. Dão um trabalho danado (e muita gente não sabe que não ganhamos nada a mais por isso), exigem a leitura detida dos textos e nossa diligência para encontrar problemas e dar sugestões.

Neste março, colaborarei com os trabalhos de quatro pesquisadoras e pesquisadores, de diferentes instituições: CEFET-MG, UFBA, UNIFESP e UEFS. Mestrados e doutorados em diferentes etapas, alguns já concluindo.

É uma honra ser chamada para colaborar com minha leitura. É um momento de aprendizado, de diálogo com outros/as colegas e de trocas com orientador/a e pesquisador/a. Geralmente produzo um documento para seguir na hora, e isso me obriga, portanto, a estudar aquele trabalho. Também me preparo de maneira a explicitar minha intenção colaborativa e de partilhar, tentando não avançar no tempo de outros/as colegas e sendo generosa e delicada com quem escuta.

A foto é ruim! Mas é o registro da minha banca de tese de doutorado na UFMG. Da esquerda para a direta, o prof. dr. Júlio Araújo (UFC), o prof. dr. Vicente Parreiras (CEFET-MG), minha amada orientadora, profa. dra. Carla Coscarelli (UFMG) e a profa. dra. Magda Soares (UFMG). Foi em março de 2008 e eu me emocionei muito, chorei até desidratar. Fui uma pesquisadora trabalhadora e mãe, não foi fácil.

Pensando nisso, neste reinício de temporada de bancas, que só terminará no final do ano, resolvi dar umas poucas dicas. Quem sabe são úteis?

  1. A despeito das metáforas de guerra e “defesa”, as bancas não precisam ser momentos de imensa tensão, medo ou angústia. Normalmente não têm sido. Procure compor, com a ajuda de seu/sua orientador/a, uma banca de pessoas que serão leitoras competentes do seu trabalho e que possam demonstrar isso com generosidade e (alguma) elegância. Não precisa ser um momento de humilhação.
  2. Se sua orientadora (ou seu orientador) disser que o trabalho ainda não está apto para defesa, acredite. Provavelmente ele ou ela participa de bancas e sabe o que pode acontecer. É melhor não ter pressa, recuar e refazer o que for necessário para melhorar e chegar à defesa.
  3. Não componha bancas “amigas” só para agradar alguém ou porque você não confia em seu trabalho ao ponto de dá-lo à leitura de outras pessoas. Você estará desperdiçando um momento ótimo para boas trocas, reais e honestas, além de perder a chance de novos contatos e laços. Pense, com seu orientador ou sua orientadora, em uma banca equilibrada entre pessoas conhecidas e mais ou menos previsíveis e pessoas que trazem ângulos e leituras potencialmente novos. Meça os riscos, claro. E evite gente que só quer lacrar.
  4. recomendações da Capes para a formação de bancas. O ideal é que haja sempre alguém de dentro da sua instituição e outra proporção de pessoas externas. Isso não é à toa. É importante ouvir leitores e leitoras menos “viciados” no seu trabalho. Evite o desnecessário e o excesso. Se não couber todo mundo que você quer, faça outros tipos de menções e homenagens. E se sua banca tiver mais do que duas (mestrado) ou quatro (doutorado) arguições… avise às pessoas… É muito desrespeitoso quando a banca percebe que terá de dispor de muito mais tempo naquela manhã ou tarde. E, aliás, suplentes não fazem a arguição. Eventualmente, por delicadeza, se estiverem presentes, podem ser convidados/as a dar um “oi”, mas só “oi” mesmo! Podem enviar um texto depois, se fizerem questão. E isso pode ser ótimo.
  5. Bancas de mestrado são formadas por 2 avaliadores e seu orientador (ou orientadora), sendo que apenas os convidados fazem a arguição (ou a conversa). As bancas de doutorado têm o dobro disso e são mais exigentes e exaustivas. Tudo passa, e o final é uma grande conquista.
  6. Na abertura dos trabalhos, que devem ser públicos, seu orientador ou sua orientadora deve explicar o ritual (às vezes algumas pessoas na plateia não fazem ideia de como acontece) e dar a sessão por aberta oficialmente. É interessante explicitar os tempos de cada arguidor/a e responder a eles/elas. Há colegas pouco éticos e educados que dão aulas, em vez de serem avaliadores; às vezes gastam mais tempo falando de um trabalho que você deveria ter feito, e não sobre seu trabalho real… afff paciência. Usam o tempo de todos e até fingem se preocupar. Tente que seu orientador ou sua orientadora faça essa mediação, se isso começar a acontecer. Você não precisa sofrer mais do que o necessário nesta situação, nem o restante da sua banca.
  7. Estude um pouquinho o Lattes e a produção das pessoas que compõem a sua banca. É de bom tom (no mínimo) saber quem são aquelas pesquisadoras e pesquisadores que estão ali.
  8. Você não é obrigado/a a citar todas as pessoas que estão na sua banca, mas é de bom tom que, sim, você tenha feito alguma relação entre seus estudos e os dessas pessoas, inclusive e principalmente o trabalho da sua orientadora (do seu orientador)!! Não leve um puxão de orelha sobre isso: “poxa, sua orientadora é um expoente nesta área e você…”. Pois é… E raramente orientadores têm coragem de falar algo sobre isso porque pode parecer arrogante, sabe lá. E mais: não deixe de citar trabalhos do seu próprio programa de pós. Vocês não estão construindo juntos?
  9. Bancas de mestrado regulares duram cerca de 2h30; as de doutorado podem durar 5h ou mais. É cansativo! Não se esqueça de preparar uma água, quem sabe até mais alguma coisinha. É permitido e desejável fazer um intervalinho em algum momento.
  10. Dialogue com a sua banca. As pessoas não estão ali à toa. São gente ocupada e que se dedicou à leitura do seu trabalho com afinco, gratuitamente, mesmo tendo muitas coisas a fazer. Se perguntarem ou comentarem algo, demonstre interesse, responda, elabore algo ou, simplesmente, seja simples e honesto/a: “professora, não cheguei a refletir sobre isso, mas vou anotar e preparar algo sobre o assunto. É, sem dúvida, uma questão relevante, sobre a qual me debruçarei depois”. Não precisa ser com essas palavras pomposas, claro. 🙂 Mas você pode dizer que não sabe, que não pensou naquilo, que é um bom insight etc. Pode defender um ponto de vista, argumentar, explicar. Se você for mesmo caxias, pode até enviar uma mensagem posterior para resolver o assunto. É bem simpático fazer isso. E enviar o texto final, definitivo, a todos.
  11. Não seja arrogante, de maneira alguma. Uma das qualidades de um/a pesquisador/a, durante o processo e sempre, é a escuta. Não quer dizer obediência cega… e nem reduz seu potencial. A gente (a banca) sempre sabe quem não escutou nada durante a pesquisa…
  12. Dificilmente seu trabalho é completamente inédito, nada igual existe sobre a face da Terra. Controle-se e pense que sempre há mais o que ler e estudar. Diga apenas que você tem uma boa contribuição a dar, e dê.
  13. Ninguém domina mais o seu trabalho do que você. É normal ficar ansioso/a, mas apenas o inescapável. Depois de começar a falar, rapidinho você se sentirá capaz e à vontade. É um processo importante.
  14. Você pode apresentar slides ou entregar documentos. É importante fazer isso para que você se guie, não se perca, nem na pesquisa e nem no tempo da apresentação (coisa de 25 minutos, aproximadamente). Mas evite slides lotados de texto. Prefira frases enxutas e imagens importantes, se seu trabalho as tem. Não precisa começar na Introdução e seguir a sequência da tese. Você pode escolher um ponto mais estratégico por onde começar e explicar sua pesquisa a partir dali. Tudo é edição e é saber como contar uma história.
  15. Costumo dizer aos meus orientandos e orientandas que façam no máximo 10 slides… Foi o que aprendi com os anos de experiência me apresentando e sendo banca. Sempre digo a eles e elas: mostre logo seus dados e sua análise, que são o coração do seu trabalho. Essa quantidade de slides costuma dar e sobrar… a gente sempre fala mais do que planejou. Se gastarmos 2 minutos em cada um… já são 20 minutos. Dimensione isso bem e não confie tanto nos famosos ensaios que você faz uns dias antes.
  16. Agradeça quem esteve com você: familiares, cônjuges, professores, rede de apoio, orientador/a, o deus da sua religião etc. Nunca é demais. Mas não se esqueça de pensar nas pessoas que não ajudaram, que sabotaram e que não impulsionaram você e suas conquistas. Não precisa mencioná-las, mas pense nisso. As mulheres costumam ter muita história para contar a esse respeito. Infelizmente.
  17. Ajuste em sua tese ou dissertação os itens que a banca apontar. Tenha efetiva consideração pelas leituras das pessoas que se dedicaram ao seu estudo. E não precisa esconder esse diálogo final na versão da biblioteca. Você pode escrever notas de rodapé, por exemplo, agradecendo explicitamente a sugestão X ou Y da banca. Esse diálogo pode e deve ser visível, até porque, às vezes, a banca dá uma contribuição sagaz que nem é ideia sua. Não custa admitir e apontar.
  18. Não suba no salto depois da defesa. Quase sempre os trabalhos são indicados para publicação etc. Não tenha pressa com isso. Se for publicar depois (e isso é importantíssimo), faça-o bem, escolhendo boas revistas, boas editoras e lembrando que esta é uma nova etapa, com mais pareceres e colaborações.
  19. Divulgue sua banca. Lembre-se, antes, de assistir às bancas de seus/suas colegas. É uma reciprocidade bacana, além de ser um momento importante de aprendizado do ritual e dos assuntos abordados.
  20. Algumas instituições têm rituais mais formais, outras menos. Isso depende da cultura da área, dentre outros fatores. Observe esse código. De todo modo, evite irreverência demais em qualquer situação, já que o momento é de seriedade (e não de sisudez) e importância.
  21. Não há uma regra para a extensão dos trabalhos… mas seja sensato/a. Diga o que precisa ser dito, escreva bem e organizadamente e respeite o tempo das pessoas.

Bem, foram 21 coisinhas de que me lembrei enquanto pensava nos trabalhos que lerei agora. Espero que sejam úteis para quem vai encarar esse momento da “defesa” no ano que se inicia. Sucesso a todos e todas. E que venham mais diquinhas, se vocês se lembrarem de outras.

Novembro desacelerando

Que cansaço! Chega esta época, a gente já está pedindo arrego. Só penso em dormir. E dei o azar de viver este calorão fora do normal em BH, ao ponto de ter dificuldades para pegar no sono. Logo eu!, que sou boa de cama. 🙂

Hoje formei mais uma mestra em Estudos de Linguagens, a Isabella Ferreira, com um belo trabalho sobre as escritoras negras nos livros didáticos brasileiros de PNLDs recentes. Ou a ausência delas… Uma banca luxuosa comentou o trabalho e pronto: mais uma professora da educação básica altamente qualificada. Alegria! Emoção!

Na sequência será a vez da Nelma Monfardini, que foi nossa aluna de graduação em Letras e já vai se formar mestra. Outra banca luxuosa nos aguarda com comentários que só melhorarão a versão final do trabalho.

Temos ainda as aulas que encerram o ano, com seminários e entregas de textos; cursos breves; processo seletivo da pós; encontro do grupo Mulheres na Edição; e faz um ano que recebi o Jabuti Juvenil! Como passa rápido! Pegando aqui um fôlego para finalizar o ano. 2024 promete!

Semestre tremendão

O segundo semestre está me pondo medo desde julho. Antes das férias eu já andava segurando a ansiedade (portanto, ansiosa) com o que viria pela frente. Muitas coisas da vida privada a resolver, além da correria insana dos dias de trabalho. Bem, e começamos pelas viagens bem-sucedidas a Lima e a Buenos Aires, com muitas conexões feitas e realimentadas.

Vista da Feria de Editores Independientes FED’23
Café com o prof. José Luis de Diego próximo à livraria Libros del Pasaje

Agora o foco são: belas defesas de teses e dissertações de pesquisadores orientados; participar de bancas interessantes de colegas de outras instituições; promover encontros proveitosos nas aulas para os três níveis de ensino; realizar eventos que estão sendo organizados há tempos.

Neste agosto, o grupo de estudos Mulheres na Edição comemora seus quatro anos de atividades ininterruptas, o que soa como um milagre bonito. Hoje mesmo fizemos uma bela live com a editora Vanessa Ferrari, com o apoio sempre inestimável da mestranda Alícia Teodoro e a mediação simpática da mestranda Cecília Castro.

Até o final do mês traremos mais novidades. Em especial um curso rápido sobre curadorias de livros para crianças com a pós-doutoranda Fabíola Farias.

Prêmio Posling

Durante vários anos, pensamos em organizar e expressar o reconhecimento pelos excelentes trabalhos de mestrado e doutorado que temos orientado e visto defender no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens do CEFET-MG. É sempre muito difícil coordenar todas as atividades e conseguir pôr coisas assim de pé, mas neste ano conseguimos. Demos o pontapé inicial ao I Prêmio de teses e dissertações do Posling, algo que não apenas reconhece os trabalhos que se destacaram internamente como nos ajuda a escoá-los para as premiações externas a que temos concorrido ao longo dos anos. Tivemos belíssimos trabalhos reconhecidos pela ANPOLL, por exemplo, e mesmo pela Capes. Agora faremos isso de uma maneira mais estruturada e pública ainda.

Desta vez, tive uma doutora com tese premiada, a querida e competente Pollyanna de Mattos Vecchio, com um trabalho sobre a plataformização da autopublicação, isto é, na linha de edição, linguagem e tecnologia. Robusto, sério, bem escrito, propositivo. E, para melhorar, a menção honrosa à tese do Mário Vinícius, com uma pesquisa sobre as revistas das vanguardas mineiras. Também um trabalho de enorme fôlego e criatividade. Que honra estar na trilha dessas pessoas e de todas as outras que confiam a mim suas orientações.

Aqui a matéria do CEFET-MG sobre nossa premiação.

Semana C&T CEFET-MG

É sempre gostoso fechar um ciclo. Se fecharmos bem, melhor ainda. Nesta semana, as apresentações das comunicações orais da Semana de Ciência & Tecnologia do CEFET-MG acontecerão, no campus II. Uma de minhas orientanda estará por lá, encerrando sua pesquisa de Iniciação Científica, com bolsa do CNPq 2021-22. Foi um luxo orientar uma escritora tão apaixonada pelo tema que decidiu estudar: Camila Dió. Na sequência, a Luana Sá também encerra um ciclo como aluna do bacharelado e defende seu TCC sobre um tema com o qual trabalha. Que voem alto!

Série de defesas

Por estas semanas, participei de uma série de defesas de mestrado e doutorado, em diversas instituições. Algumas delas foram de orientandos e orientandas meus, com quem tive a alegria de colaborar. Que voem alto!

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Ana Elisa • 2020