A Academia Mineira de Letras tem sempre novidades e convites bonitos. Desta vez, pediram que eu selecionasse alguns poemas de poetas brasileiros/as cujo tema fosse o Natal, o Ano Novo, etc. Deu trabalho porque eu quis realmente procurar nos meus livros. Deixei a internet de lado. E aí deu nisto: um vídeo de leituras do qual participam pessoas queridas, numa mensagem de alegria, esperança e fé.
Autor: Ana Elisa Page 51 of 100
Embora tenha sido um ano-encrenca, como todos sabemos, ano-morte, ano-doença, ano-tristeza, com esta coisa de ficar em casa, mesmo dando aulas remotas, consegui ser muito mais dona do meu tempo. A despeito dos/as críticos/as de plantão, muito preocupados/as com a agenda da gente, a saúde da gente, a mente da gente, a trabalheira da gente… reagi tentando dormir melhor, comer bem (sem engordar) e pondo diante de mim projetos que sempre desejei começar ou terminar e não conseguia, justamente porque naquela vida pré-pandemia o corre era insano e isso, sim, me fazia muito mal. Me fazia mal a quantidade de trânsito, de aulas, de toxidade, falta de tempo pra almoçar direito, salgado péssimo na cantina horrorosa, barulho, Makita ligada o dia inteiro, etc. Isso, sim, devia preocupar tanta gente que agora se preocupa em criticar lives e dizer que isto e aquilo, legislando sobre a vida alheia.
Bom, fora esse tipo de chatice, administrei melhor o timing, consegui finalizar algumas coisas que estavam estacionadas havia um tempo, me dediquei mais ao que me move de verdade e mantive os laços que interessam (porque as redes servem também para isso e os afetos de verdade não se desfazem na virtualidade).
Das coisas que publiquei neste 2020, algumas têm a ver com a pesquisa que me mobiliza nos últimos quase nove anos: mulheres e edição. Embora alguns projetos tenham continuado inconclusos (mas não desisti!), alguns outros andaram. Nosso grupo de estudos Mulheres na Edição ganhou força e alcance, nossas leituras mantiveram a cadência, nossas redes intelectuais se ampliaram e fortaleceram. Estou grata ao grupo todo (mais de uma centena e meia de pessoas) e às queridas parceiras Paula Renata e Rosário. O grupo da ANPOLL também foi muito importante e me deu gás.
Deixo aqui uma listinha dos produtos desses projetos que mais me alegraram neste ano estranho:
Com meu amado parceiro Sérgio Karam, publiquei dois artigos, um sobre a Editora Mulheres e Zahidé Muzart (Revista Letrônica, da PUC RS), em que recuperamos, tentativamente, o catálogo dessa casa já extinta, e outro sobre livros de bolso no Brasil, com atenção especial à Biblioteca Universal Popular, na revista argentina Palabra Clave (La Plata). Nos dois casos foram dossiês específicos, e no segundo caso fomos convidados por colegas do México e da Argentina.
Também com colegas argentinas, publiquei um artigo sobre Tânia Diniz e seu mural Mulheres Emergentes nos Cuadernos del Centro de Estudios en Diseño y Comunicación, num dossiê que organizamos juntas. Foi, mais uma vez, a consolidação de laços de trabalho e afeto que ainda darão mais frutos. Uma das disciplinas que darei na pós no início de 2021 será com essas colegas fabulosas, Ivana Mihal e Daniela Szpilbarg.
Para minha enorme alegria, tive um livro-ensaio publicado na Pequena Biblioteca de Ensaios Perspectiva Feminista da Zazie Edições. O volume chama-se Subnarradas: mulheres que editam, e pode ser baixado gratuitamente. Isso foi algo bem especial e preciso agradecer pelo cuidado da editora Laura Erber com o texto e o livro.
E quando o ano já ia acabando, ganhei o presente de ter um artigo na Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP sobre seis editoras dirigidas por mulheres e que têm dado especial atenção à publicação de poesia. Foi um convite que adorei atender.
Participei de seminários, dei palestras, organizei eventos com colegas, publiquei uma coletânea de contos derivada da oficina Escreva com(o) uma mulher, assim como pus na rua, com o Cleber Cabral, o Tarefas da Edição. Li e turbinei minha biblioteca de estudos feministas.
Tenho muitos motivos para ser grata por tudo o que aconteceu neste 2020, em que me tornei professora titular e consegui me manter trabalhando bastante, sem perder o pé, apesar de todo o caos. Motivo também para agradecer por tantas parcerias e tanto afeto, escapando da morte por meio da ciência e da poesia.
Nesta sexta, a RCPFSescSP será lançada e o número é sobre a poesia, a leitura do mundo via poesia. Recebi o convite para participar e fiquei muito alegre. É um tema do coração, e eu o misturei ao meu interesse pela edição. O artigo de minha autoria é sobre as editoras dirigidas por mulheres que têm dado maior atenção à publicação de poesia, hoje, no Brasil. Foi uma delícia escrever. O volume é de acesso gratuito.

O livro nunca sai do meu radar; nem eu do dele. Esta semana, terei a oportunidade de dois papos ótimos sobre livros. O primeiro tem relação com a conclusão de uma turma do curso Dobras de Si, de São Paulo, que me convidou a apreciar quatro das obras produzidas por lá. O segundo é uma mesa animadíssima na comemoração dos 10 anos do curso de Produção Editorial da Universidade Federal de Santa Maria, que acompanho desde o início. Diversão garantida.



Hoje é o lançamento virtual de um livro belíssimo. A obra foi organizada por três colegas dedicadíssimas ao tema do livro e das bibliotecas: Cleide Fernandes, Fabíola Farias e Maria da Conceição Carvalho. É também um presente pelo aniversário de Belo Horizonte, esta cidade charmosa.

Que alegria participar, dar meu depoimento, provocada pelas perguntas da Conceição. Sempre gosto de me lembrar de minha trajetória de leitora e escritora.
A transmissão será aqui.
O livro pode ser baixado. Mesmo a versão impressa vem sendo distribuída.
Matéria no jornal O Tempo.
Este ano, fizemos um planner com 12 poetas convidados/as, de várias partes do Brasil, e 12 poemas metalinguísticos. A ilustração ficou a cargo do querido urban sketcher Alexandre Jr. A Impressões de Minas caprichou, de novo. E eu fico que nem pinto no lixo.
Já expliquei o que é planner no Intagram, mas não custa repetir: nem agenda nem calendário; é mais que este e menos que aquela. É mais prático e mais gráfico. E no nosso vem poesia, claro. Pra comprar e dar de presente, fica a dica em forma de link.
Nossa coleção de cards de divulgação:




Acho gratificante ver meu trabalho ecoar, assim como ecoo o de colegas que admiro, que penso terem produzido textos interessantes. Há alguns meses, tenho favoritado alguns vídeos de colegas a que quero assistir (e assisto) e, de vez em quando, algum/a deles/as menciona minha produção recente. Fico grata.
Aqui abaixo, duas lives em que meu trabalho incessante aparece na produção de colegas que também têm se sentido convocadas a pensar e a falar durante esta pandemia (e antes e depois):
Neste dezembro de 2020, ainda estamos falando em letramento digital. Uma delícia o convite dos colegas da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) para falar sobre o tema. O papo foi transmitido aqui pelo YouTube.

O Rascunho é um dos mais longevos e mais importantes jornais brasileiros dedicados à literatura. É produzido no Paraná e o editor é o Rogério Pereira, que leva com muita garra e seriedade.
Na semana que passou, o Luiz Rebinski me pediu um pitaco no Rascunho sobre uma obra que considero essencial na bibliografia mágica da Clarice Lispector. Eu dei meu palpite, ó.
Ah, minha coluna lá começa em janeiro. <3
Hoje saiu uma entrevista comigo no portal LiteraturaBR. As perguntas provocativas foram da poeta e booktuber Isa de Oliveira. Curti muito responder. E fiquei feliz que tenha saído agora.
