Mais de meia dúzia de pessoas me fez a pergunta fatal: E as férias, Ana? Eu respondo com honestidade: Foram curtas.
A sensação é de que nunca são suficientes. Saímos do ano letivo cansadas e retornamos… Cansadas. As poucas semanas de descanso não servem muito para descansar, de fato. Meu filho fez uma cirurgia, tentei arrumar a casa, os armários, limpar coisas, organizar o escritório, jogar objetos fora, separar roupas para doação, escrever minha literatura, mas não consegui ser completamente feliz em nada. Uma sensação de frustração e tristeza me pega de jeito na virada de dezembro para janeiro. O Paulo que o diga… Aguentou meu desespero por uns dias. Viajei, mas sem me deslocar demais, porque volto de viagens mais exausta do que fui. Então nada de exageros e invencionices. O negócio é não ter horários e dormir a sono solto, sem despertador para estragar a festa. Quando me pedem uma definição de férias, sempre digo: sem relógio, sem viagens e sem despertador.
Voltamos. Tivemos ainda uma colher de chá. Devido a um problemaço nos sistemas da instituição, o início do ano letivo foi adiado em uma semana. Preocupante e bom. Ufa, minha ansiedade durará uma semana mais, mas também meu despertador deixará de trabalhar por mais uns dias. O lado bom sempre tem o lado ruim como avesso. Sem-vergonha.
No semestre 1 de 2026, darei aulas na graduação mais do que em qualquer outro momento da minha carreira, que eu me lembre. Posso estar enganada, claro. E ministrarei uma disciplina hypada na pós. Vamos tratar de inteligência artificial gerativa ou… De escrita e humanidade, sem sermos bocós o suficiente para cair nessa de ChatGPT sem peias.
A turma mais procurada foi exatamente essa. Na pós, terei mais alunos do que na graduação. No bacharelado em Letras, conviverei com duas turmas de disciplinas obrigatórias e uma optativa. A menorzinha é a optativa, que começa à tarde, um horário que eu adoro.
Não atuarei por uns meses no Ensino Médio. Saudade daquela moçada de olhos vivazes. Tive boas experiências nos últimos anos. Volto logo.
Passei grande parte das… “Férias”… estudando e fazendo a curadoria dos textos dessas disciplinas. Não seria possível fazer isso dentro do período letivo. Quase nunca é. Só se estamos ministrando a mesma matéria há muito tempo, o que quase nunca é meu caso. Minha inércia é a do movimento. É bom e é ruim, aqueles avessos.
Darei aulas do final da tarde para a noite. Serão dias cheios. Evito qualquer outro tipo de atividade neles. Geralmente, minha energia vital mal dá para sustentar as aulas regulares.
No ano passado, tive a sorte da companhia de duas estagiárias docentes: uma doutoranda da UFMG e uma nossa; uma no ensino médio e outra na graduação. Júlia e Juliana. O barato foi que elas se conheceram e começaram a me acompanhar nos dois níveis de ensino, mesmo que não tivessem essa obrigação. Foi uma experiência ótima. Duas craques. Sentirei falta.
Neste ano, tive outra sorte: a de receber para um estágio pós-doutoral a colega e amiga Renata Amaral, professora doutora do Centro Pedagógico da UFMG. Renata vem pesquisar, inventar “mexidas”, como ela diz, e acompanhar duas disciplinas da graduação comigo. Tenho certeza de que será muito divertido e produtivo. Renata é dessas pessoas ligadas no 220v.
2026 tem me deixado temerosa. Não há escape. O negócio é mergulhar. E sempre preservando meus projetos e pondo limites onde é necessário.
Nosso grupo de pesquisa e estudo, o Mulheres na Edição, abriu as atividades do ano. Sandra e eu recebemos Nina Paim e Raissa Baptista para uma conversa sobre design e feminismo. Foi um encontro cheio (quase 40 pessoas) e muito interessante. Esses estudos mexem com a cabeça e os paradigmas da gente. Por isso é que vale a pena.
4, 3, 2, 1… Já vamos começar com o pé direito nas salas do campus Nova Suíça! Um bom semestre a todas e todos.




