Mês: julho 2026

Carta Capital

A revista Carta Capital de julho publicou uma matéria intitulada “As escolhas delas” sobre algumas editoras que tocam empresas de edição de livros no Brasil. Parte considerável da matéria se baseou nas resultados de trabalhos produzidos pelo grupo Mulheres na Edição, sobretudo no título Como nasce uma editora, de minha autoria.

O número esteve nas bancas na primeira quinzena de julho de 2026. A matéria é de autoria da jornalista Paula Sperb, que falou comigo por telefone semanas antes da publicação.

A notícia me pegou pelo Instagram, quando a editora Relicário postou sobre a publicação. Claro, Maíra Nassif é uma das editoras retratadas.

O grupo Mulheres na Edição segue se encontrando mensalmente e estudando o tema da edição em sua relação com os feminismos e o contexto latino-americano. Já publicamos vários livros e artigos e não pretendemos parar. Fica a dica do livro Prezada editora, pela coleção Pensar Edição, da Moinhos, além das produções da Entretantas, já extinta.

Vaga memória

Finalmente decidi – e consegui – me juntar ao elenco da Biblioteca Madrinha Lua, coleção da editora Peirópolis da qual sou curadora há vários anos. O Vaga memória é o décimo terceiro título e, provavelmente, não o último dessa sequência de obras de autoria feminina contemporânea brasileira. Para adquiri-lo, é só clicar.

Seguimos nesse azul com projeto da designer Grabriela Araújo e direção geral da admirada Renata Farhat Borges, à frente da casa há algumas décadas e fazendo um trabalho lindo e consciencioso. Como aprendo lá!

O livro é dividido em três partes e reúne poemas escritos exclusivamente para a coleção. Demorei mas vim. Renata sempre cobrou.

Aqui o tom é afetuoso, um misto de ficção e memória, claro. Não se pode acreditar em tudo, nem que eu mesma tenha sido quem viveu as situações, mas muito do que sinto, sou e penso está ali. O filho é real e não é; os pais igualmente. Importante é tratar esse poemário como uma oportunidade de pensar a vida, no que ela tem de morte e ausência também.

O prefácio é da poeta Mariana Ianelli, o posfácio, da Renata, e fico aqui pensando aonde esse livro vai me levar. Ou me deixar. É meu décimo segundo poemário, desde 1997, quando comecei a publicar.

O lançamento 1 foi em Brasília, junto com o Instruções para arquitetos (Moinhos). A notícia trata disso, ó. O segundo lançamento será em São Paulo, terra da editora, na Livraria da Tarde, onde faremos uma tarde feliz. BH ainda não está no horizonte, mas virá.

Instruções para arquitetos

Poemário novo na área. Foi entregue à editora em resposta às provocações do editor, meu amigo Nathan Matos, que sempre dizia: “Você só não publica poesia comigo!”, naquele sotaque cearense maravilhoso dele. Pois bem. Um dia, terminei uma sequência de poemas escritos em diálogo com Flávia de Queiroz, uma poeta carioca que vive em Belo Horizonte, e mandei para a Moinhos.

Eis aí um conjunto de poemas-conversa. O tempo todo, estou em diálogo com Flávia, tratando da casa, da vida, das pessoas, das ausências, das mudanças. Sim, as mulheres sempre foram “acusadas” de não ter assunto para a literatura. São inúmeras cartas e declarações de escritores mencionando uma escrita “feminina” sinônima de doméstica, intimista, íntima, confessional talvez. E isso não é matéria de poesia, de literatura. E será? E será só isso?

Sem medo, aí estão poemas sobre a casa, sua arquitetura visível e, mais, a invisível, sua habitação, seus espaços e silêncios, as questões que o viver e o morar colocam, se quisermos. Flávia conta das paredes, dos quartos, eu conto de como isso existe e não existe, se colore ou não, diz algo, um discurso sobre a vida de quem habita ou desiste. É mais do que olhar o espaço íntimo sem política.

Mas não vale o que eu mesma falar sobre meu livro. Ou vale. São coisas que pensei ao escrever e depois ao publicar. O editor perguntou sobre o título: por quê? Eu soube explicar, embora tenha demorado a definir por ele. Difícil intitular. E este livro precisava ser mais “frio”, assim como outros que ando escrevendo. Provavelmente para um público minúsculo, embora também importante.

Instruções para arquitetos teve seu primeiro lançamento em Brasília, na livraria Circulares, que promoveu também um curso breve sobre edição literária. Foi um dia bonito, de festa, de reencontros. Tive a oportunidade de falar do livro, ler poemas, abraçar gente querida que encontro pouco, sob a mediação de duas colegas queridas e generosas: Thainá Carvalho e Ludimila Moreira. Sem falar na hospitalidade da Ana Raja.

A matéria do Correio Braziliense deu notícia da minha estada em Brasília, embora tenha levado a sério demais o que a poeta e professora Alícia Duarte Penna diz na orelha: nunca existiu um quarto de costuras na casa da minha avó. Isso é Alícia lendo, ficcionalizando, imaginando… e escrevendo um belo texto de orelha para outra poeta. Curioso isso, não? Efeitos da leitura literária. Poetas fingidoras exitosas.

Para adquirir o IpA, é só ir ao site da Moinhos. Entregas em todo o Brasil. Sei que já está em livrarias aqui e acolá, a tiragem é pequena.

Ana Elisa • 2020