
Poemário novo na área. Foi entregue à editora em resposta às provocações do editor, meu amigo Nathan Matos, que sempre dizia: “Você só não publica poesia comigo!”, naquele sotaque cearense maravilhoso dele. Pois bem. Um dia, terminei uma sequência de poemas escritos em diálogo com Flávia de Queiroz, uma poeta carioca que vive em Belo Horizonte, e mandei para a Moinhos.
Eis aí um conjunto de poemas-conversa. O tempo todo, estou em diálogo com Flávia, tratando da casa, da vida, das pessoas, das ausências, das mudanças. Sim, as mulheres sempre foram “acusadas” de não ter assunto para a literatura. São inúmeras cartas e declarações de escritores mencionando uma escrita “feminina” sinônima de doméstica, intimista, íntima, confessional talvez. E isso não é matéria de poesia, de literatura. E será? E será só isso?
Sem medo, aí estão poemas sobre a casa, sua arquitetura visível e, mais, a invisível, sua habitação, seus espaços e silêncios, as questões que o viver e o morar colocam, se quisermos. Flávia conta das paredes, dos quartos, eu conto de como isso existe e não existe, se colore ou não, diz algo, um discurso sobre a vida de quem habita ou desiste. É mais do que olhar o espaço íntimo sem política.
Mas não vale o que eu mesma falar sobre meu livro. Ou vale. São coisas que pensei ao escrever e depois ao publicar. O editor perguntou sobre o título: por quê? Eu soube explicar, embora tenha demorado a definir por ele. Difícil intitular. E este livro precisava ser mais “frio”, assim como outros que ando escrevendo. Provavelmente para um público minúsculo, embora também importante.
Instruções para arquitetos teve seu primeiro lançamento em Brasília, na livraria Circulares, que promoveu também um curso breve sobre edição literária. Foi um dia bonito, de festa, de reencontros. Tive a oportunidade de falar do livro, ler poemas, abraçar gente querida que encontro pouco, sob a mediação de duas colegas queridas e generosas: Thainá Carvalho e Ludimila Moreira. Sem falar na hospitalidade da Ana Raja.


A matéria do Correio Braziliense deu notícia da minha estada em Brasília, embora tenha levado a sério demais o que a poeta e professora Alícia Duarte Penna diz na orelha: nunca existiu um quarto de costuras na casa da minha avó. Isso é Alícia lendo, ficcionalizando, imaginando… e escrevendo um belo texto de orelha para outra poeta. Curioso isso, não? Efeitos da leitura literária. Poetas fingidoras exitosas.
Para adquirir o IpA, é só ir ao site da Moinhos. Entregas em todo o Brasil. Sei que já está em livrarias aqui e acolá, a tiragem é pequena.