Boa impressão

A editora Impressões de Minas, com a qual colaboro no planner e por onde saiu meu livro de poemas mais recente (Dicionário de Imprecisões), inventou uma moda linda, ó:

Edições de 2019 e de 2020 do Dicionário de Imprecisões sob as canecas poéticas

A gente chega lá pr’uma reunião e toma café na caneca que tem trechos dos nossos textos! Não é um mimo delicioso?

Terceira semana deste setembro

Setembro continua ensolarado, seco e animado, mesmo durante esta tristeza de pandemia. Segunda, terça e quinta haverá lives, respectivamente, a convite do CEFET-MG mesmo, da Universidade Estadual de Goiás e da Universidade Federal do Piauí. Agradeço a todos/as os/as professores/as colegas envolvidos/as. Vamos debater letramento digital, leitura e as questões do ensino remoto.

14/09, 19h30, no YouTube
15/09, 20h30, pelo Google Meet (inscrições)
17/09, 16h, pelo Google Meet (inscrições)

A live do Infortec sobre letramento digital pode ser vista aqui.

A palestra da UFPI não foi gravada, mas eu dei uma resumidinha nela e deixo aqui a ideia principal, é claro que sem a riqueza dos comentários e perguntas do público.

Escola do GEL

Fiquei muito feliz quando recebi o convite do Grupo de Estudos Linguísticos de São Paulo para planejar e oferecer um curso on-line sobre algum tema do meu apreço. Claro que fui direto na multimodalidade.

O curso começará em 20 de setembro e durará duas semanas. Está planejadinho e espero que as pessoas inscritas achem informativo e produtivo.

Do digital &

O ano está sendo esquisito, triste e truncado, por um lado; por outro, tem surpreendido, em alguns aspectos. Como em tudo, sempre, afinal.

Em março, tivemos de interromper as aulas. A disciplina sobre “Letramentos, identidade e formação do professor” ficou suspensa. Meses depois, voltamos. Mas não do mesmo jeito. Não mais juntos fisicamente, depois do almoço, tendo aqueles papos presenciais em um sala de aula pequena, no terceiro andar do campus I. Tivemos de retomar no Sigaa, nosso AVA de emergência. And the show must go on…

Pedi à turma que retomasse nossos seminários sobre letramentos adjetivados, depois de estudarmos juntos textos de Paulo Freire, Angela Kleiman, Magda Soares e do New London Group. E o jeito era fazer digitalmente. E quem disse que não tem emoção aí?

O grupo responsável pelo letramento literário resolveu fazer uma transmissão ao vivo e deixá-la gravada. Acontece que essas belezuras de pessoas começaram a ser assistidas mesmo e aí a conversa virou uma mesa-redonda muito linda. Que legal, gente! Obrigada por entrarem neste barco, deste jeito afetuoso e dedicado.

Revisão de textos em pauta

O colega de CEFET-MG, prof. José Muniz Jr., gravou várias entrevistas com revisoras e revisores de textos para uma disciplina que ministra. Serão empregadas na formação graduada, mas ficam disponíveis. A minha está aqui, é o sexto vídeo, e foi uma alegria participar deste bate-papo.

Interessâncias

Sempre tem textos interessantes para a gente analisar, pensar, ler e escrever sobre. Isso é infinito, ainda bem. A linguagem é nossa ambiência. E isso me encanta muito, desde criança.

Este vídeo sobre a Bertha Benz, por exemplo, me encantou. Chegou às minhas lentes pelo WhatsApp, daí fui procurar em algum canal oficial da Mercedes-Benz. Estava lá. E, sim, é um texto, claramente, de alto nível de multimodalidade, porque trato a multimodalidade (a) como inerente e constitutiva de todo texto (como Gunther Kress insistia em afirmar) e (b) como uma gradação, uma paleta, um continuum.

Além do aspecto textual e discursivo que podemos analisar aí, há também a questão das mulheres, que figura muito neste texto e que muito me interessa também. Vamos curtir!

Conversas com editores

Eu e Carla Coscarelli produzimos, há alguns anos, um dos volumes dos Cadernos Viva Voz, da Faculdade de Letras da UFMG, com conversas com editores/as. Foi divertido. Não é nada sofisticado, mas tem sido uma publicação importante, há décadas, na FALE. Está disponível na página da instituição, grátis e para baixar.

Semana animada

A segunda semana de setembro será animada e gratificante, com bate-papos sobre o encontro/confronto entre educação e tecnologias, além do tema sempre fascinante dos livros e da leitura. Agradeço os convites.

8/9, 17h, YouTube
9/9, 19h, YouTube

10/9, 19h, Instagram @livraria_paginas

O papo sobre educação linguística e pedagogia do digital, a convite da PUC SP e da Parábola Editorial, pode ser visto aqui:

A palestra sobre a pedagogia dos multiletramentos na UERN pode ser assistida neste link.

O bate-papo com a @livraria_paginas, conduzido pela Taíza, a convite da editora Leida Reis, pode ser visto aqui:

https://www.instagram.com/tv/CE-UJJQFSgS/?utm_source=ig_web_copy_link

Sextou com textos publicados

Hoje, dois textos que produzi recentemente foram publicados. Isso sempre me traz uma alegria muito específica.

O jornal Estado de Minas publicou minha resenha do livro Afetos ferozes, de Vivian Gornick, no caderno Pensar. Escrevi muito tomada pela leitura desse romance de memória. (Este jornal publica textos meus há muitos anos, eventualmente).

No Digestivo Cultural, postei minha crônica do mês, que aborda um assunto curioso e necessário: a morte dos entes queridos.

Insuficiência &

Há alguns anos, venho pesquisando mulheres editoras no Brasil. E não vou falar de método ou de bibliografia. Vou falar dos meus sentimentos. Vivo sentindo coisas como insuficiência, impotência e vazio. Não chegam a me paralisar, mas são incômodos de uma pesquisadora realmente envolvida com seu tema e seus objetos. Sempre a sensação de que não sei nada, de que sei quase nada, de que encontrei algo importante, mas que não será possível descrever ou refletir sobre; impressão de que falo bobagens sobre o achado; sensação de que sei menos que todos/as e de que há muito sob aquela folhagem, mas que não conseguirei alcançar.

Seria mais cômodo, talvez mais fácil, procurar assuntos e métodos que já estivessem aí, disponíveis. Seria o caso de apenas pegar, recolher, continuar de algum ponto, complementar. Mas não dá mais para voltar atrás quando elegemos um assunto que nos parece tão relevante e tão necessário, embora pouca gente olhe para ele. Meu sentimento de que trato mal e poucamente de um grande tema não me deixa em paz.

Tive experiências recentes que se misturaram ao meu percurso de pesquisa no tema das mulheres editoras. Essas experiências me fizeram sentir mais e pensar bastante, sem me desencorajar. Uma foi a escrita de um ensaio para uma editora digital que admiro muito, a Zazie. Quanto tempo fiquei debruçada sobre uns textos, uns vídeos, uns pensamentos meus que saíam e voltavam, minha própria trajetória de pesquisadora insuficiente. O texto começava, esgarçava-se, partia-se em várias possibilidades, inconcluía-se e eu voltava a ele, depois de respeitar um intervalo de sanidade. Escrevi lentamente, aos pedaços desconexos, e somente depois de assistir à live com a profa. Eurídice Figueiredo, a escrita escorreu mais forte. Entreguei. Havia um prazo, já desrespeitado, e eu me incomodo muito com atrasos. Entreguei sem finalizar, é certo. Todo texto é isso, afinal. Mas não me desculpo por qualquer inconsistência, incoerência ou ausência; há algo que sempre escapa.

Tânia Diniz

A outra experiência está relacionada justamente ao objeto que pesquiso, essas mulheres que editaram e editam no Brasil, tão mal contadas. Bom, para falar da mineira Tânia Diniz, tive de ler, assistir a entrevistas, procurar parca bibliografia e falar com ela mesma, que sempre foi muito atenciosa e simpática comigo. Fiz isso enquanto escrevia um artigo sobre sua luta de décadas pela existência do mural Mulheres Emergentes.

Quando meu artigo ainda estava por sair, Tânia faleceu, vítima de um câncer que a desafiava havia anos, contra o qual ela lutou bravamente, mas que a venceu precocemente. Terrível. No artigo, me despedi dela em nota.

Lina Tâmega Peixoto

Agora, nesta semana que corre, faleceu a escritora Lina Tâmega Peixoto, mineira radicada em Brasília. Também li sobre ela, nos falamos por e-mail (ah, quando eu soube que ela era viva, que alegria!), vi suas fotos, estudei e escrevi. Produzi um artigo destacando uma experiência relevante de Lina como editora de um periódico literário histórico em Minas Gerais. De novo, antes de o texto sair, a poeta falece. Mais uma vez, redigirei uma nota de agradecimento e despedida.

A história dessas pioneiras ainda está com elas. Muitas estão vivas e seu pioneirismo é flagrante, flagrável em entrevistas pessoais. Isso é efeito de uma questão social, que permitiu a ocupação desses espaços por essas mulheres apenas recentemente, e é elemento caracterizador da minha pesquisa, que me põe diante das pessoas diretamente, e me faz lidar com suas partidas. Sinto, então, além da sensação de que nunca sei o suficiente sobre isso, uma angústia de quem corre contra o tempo, de quem pesquisa sobre bases frágeis, já que quase nada sobre a atuação de editoras dessas mulheres foi narrado ou devidamente documentado.

Que meus textos, breves e lacunares, sirvam ao menos de início para as devidas homenagens e dos reconhecimentos que as editoras pioneiras merecem.

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Ana Elisa • 2020