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Precisamente lido

O Dicionário de Imprecisões todo dia me traz uma surpresinha. Há sempre alguém postando foto dele no Instagram, dizendo que leu, espalhando algum poema-verbete, etc. Vivo repostando essas coisas de leitores e leitoras queridos/as. Desta vez, foi pelo YouTube. A booktuber gaúcha Jéssica Mattos fez um vídeo dedicado ao poemário, com direito a leituras. Vamos ver o que ela diz?

Rascunho!

Neste janeirão ainda pandêmico de 2021, estreei minhas crônicas no jornal Rascunho, um dos mais conhecidos e longevos periódicos dedicados à literatura no Brasil. É editado em Curitiba, por Rogério Pereira, e vou escrever toda segunda terça-feira de cada mês, entre vários/as outros/as colegas cronistas, de várias partes do país. Foi um convite que aceitei serelepemente.

Aqui está o texto inaugural… sobre futebol (!). E logo virão outros.

Textos da semana

Que delícia quando os textos saem a passear na rua! Mas melhor que isso é quando eles encontram pessoas que os leiam e com eles dialoguem. É pelo que a gente torce, não é? E trabalha.

Hoje saíram duas coisas em que investi meu esforço e meu gosto, dois textos de caráter diferente, mas que escrevi com igual gosto.

Um deles é a crônica mensal da Revista Pessoa, para a qual escrevo sobre nossa língua portuguesa. A coluna fica aberta por 24h e depois se fecha para assinantes.

O outro é um artigo científico que tive a alegria de produzir em coautoria com minha orientanda de mestrado Jéssica Soares. O tema é a revisão de textos e a importância de saber mais do que língua, stricto sensu, para dar conta do recado, em especial em textos publicitários. Saiu nos anais do SITRE, um simpósio internacional de que participamos no ano passado. Está aqui para ser baixado, com alegria. Nosso artigo consta lá pela página 163.

Esses acontecimentos sempre me deixam alegrinha, ainda mais nesta situação esquisita em que a gente se encontra. Boas notícias ressoam mais.

Entrevista à editora Luas

Há algumas semanas, a editora Cecília Castro me enviou perguntas provocativas feitas pela pesquisadora Lorrany Mota (CEFET-MG). A ideia era uma entrevista para o novo site da Luas, editora de projeto feminista que Cecília conduz com paixão.

Aqui está o papo, com links para algumas indicações.

Poesia latino-americana

Há alguns meses, recebi um contato do decano da Universidad Nacional Mayor de San Marcos, no Peru, a respeito de um recital de poesia na abertura do semestre por lá. Claro que topei, mesmo antes de saber bem o que era. E é assim mesmo que sempre funcionou.

A festa está armada, marcada. Infelizmente, será virtual. Esta é uma das poucas coisas que ainda me fazem sentir alguma nostalgia dos tempos pré-pandêmicos. Poucas. Raras.

Seremos 4 poetas de países diversos a ler poesia e falar sobre ela, rapidamente, num evento pelo Meet. Aqui está o convite e eu vou aqui fazendo minha seleção. Gosto de figurar entre as latino-americanas, saindo do meu espaço de “local”, local demais, excessivamente. E gosto que a poesia produza esse efeito.

Ah, 19h lá são 21h aqui.

I Semana de Letras

Enfim, depois de 10 anos pondo o curso de pé, chega a I Semana de Letras, evento que sempre quisemos, mas que nunca deu para fazer, embora tivéssemos feito muita coisa nessa década de construção.

A programação está muito bonita, com colegas queridas/os e muita disposição. As mesas podem ser acompanhadas pelo YouTube do evento.

Aqui, parte da programação, que conta ainda com comunicações e minicursos. Vou mediar a abertura. O convidado é o professor português Nuno Medeiros.

Os primeiros dias do ano

2021 entrou. Chutou a porta, mesmo sob a resistência de 2020, um ano gosmento, pegajoso. E tenho vivido um intenso conflito: não gosto da vida antes de 2020, mas temo gostar menos ainda dela depois. Como viver com isso? Este durante que a pandemia trouxe me parece uma travessia, algo efêmero, mas muito intenso. Eu só queria ter certeza de que do lado de lá é melhor. É pedir muito, eu sei.

Ando pensando na volta às aulas presenciais, nas aulas remotas compulsórias, nos períodos enormes sem férias, na batalha dos estudantes sumariamente excluídos do sistema escolar pela falta de tecnologias digitais. Tenho pensado em como tive a sensação rara de administrar melhor meu tempo, já que não tinha de perdê-lo pegando trânsitos, engarrafamentos, filas de entrada no campus, reuniões intermináveis, etc. Quanto eu desperdiçava naquela vida! Hoje, desperdiço menos, em muitos sentidos, mas também não vivo certas trocas que apenas o presencial provê ou permite.

Será que vamos entender que não se trata de uma substituição? (Quando deixar efetivamente de ser uma…) Será que aprendemos algo e que poderemos, diligentemente, fazer melhor do que já fazíamos? Será que estamos atentos e atentas às práticas que são mais inteligentes? Minha resposta tem sido sempre um desanimado e desesperançoso ‘não’.

Eu não devia me abrir assim. Dos professores e das professoras é cobrada uma fé cega, não é? Como se nunca pudéssemos esmorecer diante de desafios pesados. Este país é um desafio horripilante, por exemplo, para quem se forma professor. Nenhuma faculdade nos fala abertamente sobre a real situação; e talvez raros professores e professoras do ensino superior tenham posto os pés no chão da fábrica. Como saber?

Tenho pensando que gostaria de estar de férias em janeiro… mas a decisões tomadas pela instituição nos puniram duplamente. É assim que sinto, mesmo que a intenção tenha sido outra e boa. Sem férias, sem estrutura e com medo, é assim que recomeçamos. E recomeçaremos e o baile seguirá, eu sei.

Retomemos o trabalhos, sempre do melhor modo possível. E com saúde, que tem sido o que mais interessa. Feliz 2021 letivo a todos/as.

Para baixar

Há alguns meses, dei aqui notícia do livro Palavra, Som, Imagem, que reúne trabalhos apresentados no evento homônimo, sempre na UFMG. Desta vez, a notícia é o link para baixar o volume gratuitamente. Sirvam-se!

2021 chega chegando

É claro que essa peça de feliz ano novo só vale pros mais responsáveis e empáticos. #prontofalei

Mesclas e equilíbrios

Na graduação e na pós, nesta com mais liberdade do que naquela, a gente lida com pelo menos dois tipos de disciplinas: as obrigatórias e as optativas. Geralmente, visto de dentro, isso quer dizer que oferecemos matérias fixas e previstas na matriz curricular, essas que são de eixo e que definem, juntas, um curso, uma formação; e matérias que podemos “inventar”, propor a cada semestre, a fim de dar vazão a assuntos e questões que uma matriz curricular demora muito a absorver.

É uma mescla interessante entre o passo lento do que precisa ser estabelecido e pensado e o passo ágil dos ventos que sopram, aqui e ali, e que não podemos deixar passar batidos. Ao mesmo tempo que podemos omitir debates presentes, caso não façamos essas propostas atuais, podemos ser acusados de modismos, quando fazemos demais. É um equilíbrio necessário e muito interessante.

Tive algumas oportunidades de participar da criação, composição e implementação de cursos de graduação e pós (lato e stricto sensu). É um trabalho sério, difícil, comprometido, que, em larga medida, exige atenção ao presente, ao passado e ao futuro. Fiz em instituições privadas e públicas, sendo estas bem menos afetadas pelas pressões do capital e da moda. Há coisas que fazemos justamente para deixar, para doar.

Como se configura um curso de Letras, por exemplo? E como configurar um curso de Letras em edição? Eram perguntas que nos fazíamos, e que nos obrigaram a uma tentativa de prática que nem mesmo nós tínhamos. É uma aposta séria, com riscos medidos. E sofreremos sempre críticas e nunca mais deixaremos de ajustar e ajustar e ajustar. Não é assim mesmo?

Meu 2020 não terminará tão cedo, do ponto de vista profissional. 2021 entrará, inexorável, e eu estarei ainda pagando o segundo semestre do ano triste da pandemia. Isso sempre me incomoda em outras situações, e continua me incomodando muito. Sinto como uma espécie de castigo por algo que não foi escolha minha. Mas enfim, desde crianças lidamos com essas coisas.

Em 2021, janeiro, começarei algumas disciplinas do segundo semestre de 2020. Uma delas tem me alegrado muito porque será um consórcio muito afetuoso e disponível entre colegas da Argentina e nós aqui. É uma dessas matérias optativas da pós (mestrado e doutorado) e a compusemos para discutir aspectos de gênero, feminismos e o mundo do livro. O esquema será todo virtual, como já poderia ter sido há muito tempo, mas precisou desta pandemia para ser vislumbrado.

Outra optativa que propus é sobre a multimodalidade e a BNCC, relação que venho estudando há algum tempo, inclusive com algumas publicações que tocam no assunto. É absolutamente urgente debater sobre isso, não? A implementação inteligente e crítica da BNCC (ou não) tem relação forte com uma compreensão sobre ela, e acho que isso passa por entendermos um pouco de onde aquele discurso saiu.

Esse é o tipo de tema fundamental e emergente, que não pode ser previsto numa matriz fixa de cursos e que precisa encontrar espaços e abertura para acontecer, conforme nossas antenas estejam ativas.

Na graduação, por exemplo, farei coisa semelhante, mas a liberdade é menor. A matriz é mais dura, os tempos são escassos e há mais entraves. No entanto, além das ofertas obrigatórias de matérias prefixadas, como Oficina de Textos e Contexto Social e Profissional, emplaquei, com um doutorando muito competente, uma disciplina de Marketing editorial. Não há esse tipo de assunto no curso ou há muito lateralmente. Vamos combinar que, num curso de edição, é importante, não é? E quem poderia ministrar algo assim melhor que um editor real? Bom, eis que. Por isso considero esse equilíbrio tão importante. Lembrando que as aberturas precisam estar, antes, nas cabeças das pessoas. É o mais complicado.

No ensino médio, minha gente, é onde a liberdade não está e onde os espaços para propor não existem ou são exíguos. Só posso lastimar. E nem gosto de falar muito nisso, ainda mais estando de férias. Resumindo: a gente é mais adestradinho/a quanto mais jovem… e depois não sabe direito o que fazer com a liberdade e a criatividade. Sigamos juntos/as.

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Ana Elisa • 2020