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Debate sobre letramento digital – artigo novo

Este – letramento digital – talvez tenha sido o tema que mais me acompanhou durante o ano de 2020, o tema da vez, infelizmente porque foi necessário e compulsório. As razões não são boas, mas até quem se dizia avesso/a às tecnologias digitais teve de se reinventar (expressão da moda! para escamotear o aperto pelo qual passaram/passamos). Sem dúvida, quem tinha menos aversão ou tinha até disposição passou por isso com menos escoriações e traumas.

Neste finalzíssimo de ano, tive a notícia de mais um artigo publicado sobre o tema. Desta vez, na revista Debates em Educação, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde participei de eventos e falei bastante. Foi um ano de falar muito e escrever também. E de rever. Neste ensaio, revi algumas coisas que ajudei a propor, no início dos anos 2000.

O artigo está disponível para baixar e é uma espécie de ensaio. Não exatamente um relatório de pesquisa de campo nem nada. Acho que foi necessário pensar e repensar como exercício diário, enquanto fazíamos o que podíamos, numa prática de ensino que ninguém nos ensinou. Que seja útil para quem puder ler.

Covid-19 e letramentos

Sentimos o impacto, não é? As escolas, de maneira geral e ampla, sentiram. E enquanto sentíamos, pensávamos. Fomos tentando refletir, mesmo que de dentro, sobre o que se passava. O livro que a Editora da PUC Minas acaba de lançar reúne uma série de textos sobre essa questão, de muitos/as pesquisadores/as de várias partes do país. Convido à leitura, grata ao convite de Juliana, Fabiana e Cédric.

https://issuu.com/cespuc-centrodeestudosluso-afro-bra/docs/praticas-discursivas-v4

TDIC, escola e pandemia

Mesmo amando o tema das mulheres na edição, a pesquisa sobre edição e mantendo a força de tudo o que diz respeito a isso, lançando revistas científicas nessa praia e livros gratuitos, nenhum tema me convocou mais este ano do que a questão das tecnologias digitais e a escola.

Eu vinha de uma certa ressaca sobre o assunto. Havia mais de 20 anos que pesquisava isso, ser ver muita coisa avançar mesmo. Participei de dezenas de bancas de mestrado e doutorado sobre educação e TDIC, sabia das conclusões de tanta gente, em tantos lugares, sempre demonstrando que essa relação era morosa, difícil, infraestrutura ruim, ethos analógico, etc. Sabíamos disso. Havia gente mais esperançosa. Eu estava meio cansada, achando que ficaríamos sempre assim… reme-reme. Até que veio a pandemia.

O coronavírus lançou um desafio enorme a todas as pessoas, a estudantes e professores do mundo inteiro. Essa equalização tornou o cenário triste, mas interessante para muitas análises. Era como se uma variável grande, importante, tivesse sido controlada. Podemos falar de TDIC? Agora, sim. Mas sob que experiência? Uma experiência terrível. E sem saída.

Nesse 2020 estranho e em que muitas pessoas foram sumariamente excluídas da escola por falta de conexão adequada, publiquei muitos textos, com coautores/as ou solo, tentando pensar nos acontecimentos, nas consequências, mas também desabafando e lembrando que a escassez e a angústia que vivíamos no ensino remoto era também já uma consequência de mais escassez e aflição. Consequência da demora, da falta de estrutura e formação, entre outras coisas.

Este foi o primeiro texto desabafo que publiquei, depois de dias e dias pensando no que fazer, em como reagir à pandemia na escola. Minha instituição havia suspendido o calendário e amarrado minhas mãos. A Parábola Editorial me deu espaço e sapecamos lá esta conversa.

Alguns artigos saíram com minhas reflexões sobre outros textos que considero seminais e importantes para nosso debate no Brasil. Um deles foi Do fosso às pontes, publicado na Revista da ABRALIN, em que me dediquei à ideia dos “nativos digitais”, que sempre considerei um desserviço, mas que colou bem no Brasil. O outro foi um texto em que li a contrapelo (essa expressão tá na moda entre os estudiosos da literatura rsrsrs), o manifesto da Pedagogia dos Multiletramentos, do New London Group, publicado em 1996 e grande influenciador de nossa linguística aplicada e até da BNCC, hoje em dia. Que futuros redesenhamos? saiu na revista Diálogo das Letras, da UERN, e foi um alívio para mim.

Eu e Carla Coscarelli já havíamos publicado nosso dossiê sobre leituras digitais na Texto Digital (UFSC) quando a pandemia se abateu sobre nós. Mantive o debate sobre textos e multimodalidade, sempre na relação com as tecnologias e com a escola, em outras oportunidades, como na revista Triângulo (UFTM) (Textos multimodais na sala de aula) e na Educação & Comunicação, da USP, em que discuti a leitura de livros entre jovens do ensino médio, hoje.

Aguardo ainda um capítulo de livro que sairá pela PUC Minas, em que discuto as categorias tempo e espaço no ensino remoto, com base em Josefina Ludmer. Ah, pronto, aqui está no Issuu e, logo, para baixar.

Em algumas ocasiões, fui entrevistada. Uma conversa saiu na revista Texto Digital e outra, na Entretextos (UEL), mais recentemente.

Com a Amanda Ribeiro, mestranda no CEFET-MG e professora da educação infantil, publiquei este texto sobre livros e leitura, cheio de afeto, na Revista Brasileira de Alfabetização.

Foi um ano difícil e triste, de pensar muito e trabalhar mais ainda. Não fugi da raia. Às vezes me arrependi um pouco do que disse, em dezenas de lives; outras vezes achei que devia mesmo dizer. E fiz tudo com responsabilidade e franqueza (não fraqueza). Seguimos pensando a educação, que foi o que fizemos quando publiquei, com Pollyanna Vecchio, parceira e doutoranda do CEFET-MG, o livro Tecnologias digitais e escola, pela Parábola, com fomento da Diretoria de Extensão e Desenvolvimento Comunitário. Depois de conduzir por meses o projeto Aula Aberta virtual, com acervo no YouTube, este livro é um presente gratuito a todos/as os/as professores/as.

Leituras de Natal

A Academia Mineira de Letras tem sempre novidades e convites bonitos. Desta vez, pediram que eu selecionasse alguns poemas de poetas brasileiros/as cujo tema fosse o Natal, o Ano Novo, etc. Deu trabalho porque eu quis realmente procurar nos meus livros. Deixei a internet de lado. E aí deu nisto: um vídeo de leituras do qual participam pessoas queridas, numa mensagem de alegria, esperança e fé.

Mulher & edição

Embora tenha sido um ano-encrenca, como todos sabemos, ano-morte, ano-doença, ano-tristeza, com esta coisa de ficar em casa, mesmo dando aulas remotas, consegui ser muito mais dona do meu tempo. A despeito dos/as críticos/as de plantão, muito preocupados/as com a agenda da gente, a saúde da gente, a mente da gente, a trabalheira da gente… reagi tentando dormir melhor, comer bem (sem engordar) e pondo diante de mim projetos que sempre desejei começar ou terminar e não conseguia, justamente porque naquela vida pré-pandemia o corre era insano e isso, sim, me fazia muito mal. Me fazia mal a quantidade de trânsito, de aulas, de toxidade, falta de tempo pra almoçar direito, salgado péssimo na cantina horrorosa, barulho, Makita ligada o dia inteiro, etc. Isso, sim, devia preocupar tanta gente que agora se preocupa em criticar lives e dizer que isto e aquilo, legislando sobre a vida alheia.

Bom, fora esse tipo de chatice, administrei melhor o timing, consegui finalizar algumas coisas que estavam estacionadas havia um tempo, me dediquei mais ao que me move de verdade e mantive os laços que interessam (porque as redes servem também para isso e os afetos de verdade não se desfazem na virtualidade).

Das coisas que publiquei neste 2020, algumas têm a ver com a pesquisa que me mobiliza nos últimos quase nove anos: mulheres e edição. Embora alguns projetos tenham continuado inconclusos (mas não desisti!), alguns outros andaram. Nosso grupo de estudos Mulheres na Edição ganhou força e alcance, nossas leituras mantiveram a cadência, nossas redes intelectuais se ampliaram e fortaleceram. Estou grata ao grupo todo (mais de uma centena e meia de pessoas) e às queridas parceiras Paula Renata e Rosário. O grupo da ANPOLL também foi muito importante e me deu gás.

Deixo aqui uma listinha dos produtos desses projetos que mais me alegraram neste ano estranho:

Com meu amado parceiro Sérgio Karam, publiquei dois artigos, um sobre a Editora Mulheres e Zahidé Muzart (Revista Letrônica, da PUC RS), em que recuperamos, tentativamente, o catálogo dessa casa já extinta, e outro sobre livros de bolso no Brasil, com atenção especial à Biblioteca Universal Popular, na revista argentina Palabra Clave (La Plata). Nos dois casos foram dossiês específicos, e no segundo caso fomos convidados por colegas do México e da Argentina.

Também com colegas argentinas, publiquei um artigo sobre Tânia Diniz e seu mural Mulheres Emergentes nos Cuadernos del Centro de Estudios en Diseño y Comunicación, num dossiê que organizamos juntas. Foi, mais uma vez, a consolidação de laços de trabalho e afeto que ainda darão mais frutos. Uma das disciplinas que darei na pós no início de 2021 será com essas colegas fabulosas, Ivana Mihal e Daniela Szpilbarg.

Para minha enorme alegria, tive um livro-ensaio publicado na Pequena Biblioteca de Ensaios Perspectiva Feminista da Zazie Edições. O volume chama-se Subnarradas: mulheres que editam, e pode ser baixado gratuitamente. Isso foi algo bem especial e preciso agradecer pelo cuidado da editora Laura Erber com o texto e o livro.

E quando o ano já ia acabando, ganhei o presente de ter um artigo na Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP sobre seis editoras dirigidas por mulheres e que têm dado especial atenção à publicação de poesia. Foi um convite que adorei atender.

Participei de seminários, dei palestras, organizei eventos com colegas, publiquei uma coletânea de contos derivada da oficina Escreva com(o) uma mulher, assim como pus na rua, com o Cleber Cabral, o Tarefas da Edição. Li e turbinei minha biblioteca de estudos feministas.

Tenho muitos motivos para ser grata por tudo o que aconteceu neste 2020, em que me tornei professora titular e consegui me manter trabalhando bastante, sem perder o pé, apesar de todo o caos. Motivo também para agradecer por tantas parcerias e tanto afeto, escapando da morte por meio da ciência e da poesia.

Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP

Nesta sexta, a RCPFSescSP será lançada e o número é sobre a poesia, a leitura do mundo via poesia. Recebi o convite para participar e fiquei muito alegre. É um tema do coração, e eu o misturei ao meu interesse pela edição. O artigo de minha autoria é sobre as editoras dirigidas por mulheres que têm dado maior atenção à publicação de poesia, hoje, no Brasil. Foi uma delícia escrever. O volume é de acesso gratuito.

Livro, livro &

O livro nunca sai do meu radar; nem eu do dele. Esta semana, terei a oportunidade de dois papos ótimos sobre livros. O primeiro tem relação com a conclusão de uma turma do curso Dobras de Si, de São Paulo, que me convidou a apreciar quatro das obras produzidas por lá. O segundo é uma mesa animadíssima na comemoração dos 10 anos do curso de Produção Editorial da Universidade Federal de Santa Maria, que acompanho desde o início. Diversão garantida.

História afetiva

Hoje é o lançamento virtual de um livro belíssimo. A obra foi organizada por três colegas dedicadíssimas ao tema do livro e das bibliotecas: Cleide Fernandes, Fabíola Farias e Maria da Conceição Carvalho. É também um presente pelo aniversário de Belo Horizonte, esta cidade charmosa.

Que alegria participar, dar meu depoimento, provocada pelas perguntas da Conceição. Sempre gosto de me lembrar de minha trajetória de leitora e escritora.

A transmissão será aqui.

O livro pode ser baixado. Mesmo a versão impressa vem sendo distribuída.

Matéria no jornal O Tempo.

Planner 2021

Este ano, fizemos um planner com 12 poetas convidados/as, de várias partes do Brasil, e 12 poemas metalinguísticos. A ilustração ficou a cargo do querido urban sketcher Alexandre Jr. A Impressões de Minas caprichou, de novo. E eu fico que nem pinto no lixo.

Já expliquei o que é planner no Intagram, mas não custa repetir: nem agenda nem calendário; é mais que este e menos que aquela. É mais prático e mais gráfico. E no nosso vem poesia, claro. Pra comprar e dar de presente, fica a dica em forma de link.

Nossa coleção de cards de divulgação:

Vamos caminhando

Acho gratificante ver meu trabalho ecoar, assim como ecoo o de colegas que admiro, que penso terem produzido textos interessantes. Há alguns meses, tenho favoritado alguns vídeos de colegas a que quero assistir (e assisto) e, de vez em quando, algum/a deles/as menciona minha produção recente. Fico grata.

Aqui abaixo, duas lives em que meu trabalho incessante aparece na produção de colegas que também têm se sentido convocadas a pensar e a falar durante esta pandemia (e antes e depois):

Em agosto, a profa. Iara Cavalcanti ofereceu um curso sobre produção e correção de textos na UEPB.
Em dezembro, a profa. Leonor Werneck, da UFRJ, trata da BNCC, em vários de seus aspectos.

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Ana Elisa • 2020