Categoria: Linguagem e tecnologia Page 17 of 39

Do baú

De vez em quando, encontro uns textos que escrevi há tempos e fico com medo deles. É impossível não me confrontar hoje com o que eu pensava e escrevia ontem ou anteontem. Autores e autoras importantes, geralmente estrangeiros/as, publicam seus livros e os repensam, ao longo do tempo. Nas edições mais recentes de certas obras, há prefácios acumulados em que o doutor ou a doutora explicam as mudanças em suas teorias ou propostas, ao longo do tempo, vez que continuaram a pensar e repensar, na interação com colegas e estudantes. Uma beleza, não? Infelizmente, temos pouca oportunidade de fazer isso por aqui.

Estes dias, dando uma oficina de produção de textos para a graduação, precisei indicar dois textos sobre a noção de hipertexto. Os links foram de um verbete que tive a honra de escrever para a Enciclopédia do Ceale (UFMG), anos atrás, e um artigo que publiquei em um evento em Uberlândia, MG, em 2006. Ai, que medo! Mas até que eu não dei muita bola fora. Meu ‘jeito de pensar’ já estava lá.

Também reencontrei um texto que publiquei, a convite da Prodemge, na revista Fonte, se me lembro bem. Reli agora esse artigo meio furioso, repleto de vozes alheias (coisa que faço com mais parcimônia, hoje em dia), e achei que não estava errada, àquela altura. Éramos bem otimistas… mas eu já era uma desconfiada incorrigível. Será que é porque sempre estive dentro ou muito perto da escola básica? Por que a escola não protagonizou no tema das tecnologias? Por que o Brasil não protagoniza quase nunca, em educação? Que coisa… É bom quando a gente não se envergonha completamente do que escreveu tempos atrás, mas é triste quando a gente verifica que a situação não mudou para melhor, até o contrário. Que pena.

Expressão &

Escrevi este texto, meio relato, meio confissão, para abrir ou encerrar um evento da Universidade Federal de São João del-Rei. Foi bom lá e gosto de tê-lo escrito, depois de falar. Essas retextualizações são importantes no processo de organizar, pensar, repensar, observar as reações e admitir, inserir, ampliar, desistir. Bem que eu queria que a sala de aula fosse esse espaço. Que tal baixar?

Orientadora imperfeita

Quando vi a chamada para a revista Trem de Letras (Unifal) sobre Pesquisa e divulgação científica na área de Letras, corri para finalizar um texto que vinha escrevendo, a passos lentos, havia algum tempo. Eram umas anotações sobre o processo de orientação de pessoas que produzem teses e dissertações. Dei tratos à bola e o texto foi aceito. Saiu hoje e é uma reflexão sobre parte da minha experiência profissional. Está na seção de relatos de experiência.

Precariedades cíclicas

A conferência dada no ABRALIN ao Vivo gerou um texto. É assim que gosto de fazer. Cada fala, um texto. Nem sempre é possível, nem sempre sai, mas tento. Desta vez, saiu na revista Cadernos de Linguística, da ABRALIN, que só publica textos decorrentes de seus eventos. Uma honra. Tratei dos ciclos de precariedade com os quais nós, professores/as, somos obrigados/as a conviver em nossa vida profissional. E mais esta: a pandemia. Leia aqui.

Em 2023, a pedido da revista, publiquei uma espécie de reflexão sobre o primeiro texto. Ei-lo. É só baixar. E eles estão sempre entre os mais lidos da Cadernos de Linguística. 😀 Olha aí no Top 5 e os dois no Top 3o!

Piauí, aí vou eu

Esta é uma semana interessante, em que coincidiram vários eventos no Piauí. O primeiro foi um encontro de turmas de pós capitaneado pelo querido prof. Ribamar Jr. (UFPI). Nele estávamos eu, Carla Coscarelli (UFMG), Ribamar e Vicente Lima-Neto (UFERSA), além de presenças ilustres como a da profa. Vânia Barbosa, da UFPI.

Na quinta, dia 28, é dia de falar com professores/as da rede municipal de Picos, PI. Preparei algo sobre a importância das ferramentas digitais hoje. A live será pelo YouTube.

Na sexta, o encontro será com a turma do GEMTE, grupo de pesquisa liderado pela profa. Vânia (UFPI). O papo é a multimodalidade.

Debate sobre letramento digital – artigo novo

Este – letramento digital – talvez tenha sido o tema que mais me acompanhou durante o ano de 2020, o tema da vez, infelizmente porque foi necessário e compulsório. As razões não são boas, mas até quem se dizia avesso/a às tecnologias digitais teve de se reinventar (expressão da moda! para escamotear o aperto pelo qual passaram/passamos). Sem dúvida, quem tinha menos aversão ou tinha até disposição passou por isso com menos escoriações e traumas.

Neste finalzíssimo de ano, tive a notícia de mais um artigo publicado sobre o tema. Desta vez, na revista Debates em Educação, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde participei de eventos e falei bastante. Foi um ano de falar muito e escrever também. E de rever. Neste ensaio, revi algumas coisas que ajudei a propor, no início dos anos 2000.

O artigo está disponível para baixar e é uma espécie de ensaio. Não exatamente um relatório de pesquisa de campo nem nada. Acho que foi necessário pensar e repensar como exercício diário, enquanto fazíamos o que podíamos, numa prática de ensino que ninguém nos ensinou. Que seja útil para quem puder ler.

Covid-19 e letramentos

Sentimos o impacto, não é? As escolas, de maneira geral e ampla, sentiram. E enquanto sentíamos, pensávamos. Fomos tentando refletir, mesmo que de dentro, sobre o que se passava. O livro que a Editora da PUC Minas acaba de lançar reúne uma série de textos sobre essa questão, de muitos/as pesquisadores/as de várias partes do país. Convido à leitura, grata ao convite de Juliana, Fabiana e Cédric.

https://issuu.com/cespuc-centrodeestudosluso-afro-bra/docs/praticas-discursivas-v4

TDIC, escola e pandemia

Mesmo amando o tema das mulheres na edição, a pesquisa sobre edição e mantendo a força de tudo o que diz respeito a isso, lançando revistas científicas nessa praia e livros gratuitos, nenhum tema me convocou mais este ano do que a questão das tecnologias digitais e a escola.

Eu vinha de uma certa ressaca sobre o assunto. Havia mais de 20 anos que pesquisava isso, ser ver muita coisa avançar mesmo. Participei de dezenas de bancas de mestrado e doutorado sobre educação e TDIC, sabia das conclusões de tanta gente, em tantos lugares, sempre demonstrando que essa relação era morosa, difícil, infraestrutura ruim, ethos analógico, etc. Sabíamos disso. Havia gente mais esperançosa. Eu estava meio cansada, achando que ficaríamos sempre assim… reme-reme. Até que veio a pandemia.

O coronavírus lançou um desafio enorme a todas as pessoas, a estudantes e professores do mundo inteiro. Essa equalização tornou o cenário triste, mas interessante para muitas análises. Era como se uma variável grande, importante, tivesse sido controlada. Podemos falar de TDIC? Agora, sim. Mas sob que experiência? Uma experiência terrível. E sem saída.

Nesse 2020 estranho e em que muitas pessoas foram sumariamente excluídas da escola por falta de conexão adequada, publiquei muitos textos, com coautores/as ou solo, tentando pensar nos acontecimentos, nas consequências, mas também desabafando e lembrando que a escassez e a angústia que vivíamos no ensino remoto era também já uma consequência de mais escassez e aflição. Consequência da demora, da falta de estrutura e formação, entre outras coisas.

Este foi o primeiro texto desabafo que publiquei, depois de dias e dias pensando no que fazer, em como reagir à pandemia na escola. Minha instituição havia suspendido o calendário e amarrado minhas mãos. A Parábola Editorial me deu espaço e sapecamos lá esta conversa.

Alguns artigos saíram com minhas reflexões sobre outros textos que considero seminais e importantes para nosso debate no Brasil. Um deles foi Do fosso às pontes, publicado na Revista da ABRALIN, em que me dediquei à ideia dos “nativos digitais”, que sempre considerei um desserviço, mas que colou bem no Brasil. O outro foi um texto em que li a contrapelo (essa expressão tá na moda entre os estudiosos da literatura rsrsrs), o manifesto da Pedagogia dos Multiletramentos, do New London Group, publicado em 1996 e grande influenciador de nossa linguística aplicada e até da BNCC, hoje em dia. Que futuros redesenhamos? saiu na revista Diálogo das Letras, da UERN, e foi um alívio para mim.

Eu e Carla Coscarelli já havíamos publicado nosso dossiê sobre leituras digitais na Texto Digital (UFSC) quando a pandemia se abateu sobre nós. Mantive o debate sobre textos e multimodalidade, sempre na relação com as tecnologias e com a escola, em outras oportunidades, como na revista Triângulo (UFTM) (Textos multimodais na sala de aula) e na Educação & Comunicação, da USP, em que discuti a leitura de livros entre jovens do ensino médio, hoje.

Aguardo ainda um capítulo de livro que sairá pela PUC Minas, em que discuto as categorias tempo e espaço no ensino remoto, com base em Josefina Ludmer. Ah, pronto, aqui está no Issuu e, logo, para baixar.

Em algumas ocasiões, fui entrevistada. Uma conversa saiu na revista Texto Digital e outra, na Entretextos (UEL), mais recentemente.

Com a Amanda Ribeiro, mestranda no CEFET-MG e professora da educação infantil, publiquei este texto sobre livros e leitura, cheio de afeto, na Revista Brasileira de Alfabetização.

Foi um ano difícil e triste, de pensar muito e trabalhar mais ainda. Não fugi da raia. Às vezes me arrependi um pouco do que disse, em dezenas de lives; outras vezes achei que devia mesmo dizer. E fiz tudo com responsabilidade e franqueza (não fraqueza). Seguimos pensando a educação, que foi o que fizemos quando publiquei, com Pollyanna Vecchio, parceira e doutoranda do CEFET-MG, o livro Tecnologias digitais e escola, pela Parábola, com fomento da Diretoria de Extensão e Desenvolvimento Comunitário. Depois de conduzir por meses o projeto Aula Aberta virtual, com acervo no YouTube, este livro é um presente gratuito a todos/as os/as professores/as.

Vamos caminhando

Acho gratificante ver meu trabalho ecoar, assim como ecoo o de colegas que admiro, que penso terem produzido textos interessantes. Há alguns meses, tenho favoritado alguns vídeos de colegas a que quero assistir (e assisto) e, de vez em quando, algum/a deles/as menciona minha produção recente. Fico grata.

Aqui abaixo, duas lives em que meu trabalho incessante aparece na produção de colegas que também têm se sentido convocadas a pensar e a falar durante esta pandemia (e antes e depois):

Em agosto, a profa. Iara Cavalcanti ofereceu um curso sobre produção e correção de textos na UEPB.
Em dezembro, a profa. Leonor Werneck, da UFRJ, trata da BNCC, em vários de seus aspectos.

Letramento digital

Neste dezembro de 2020, ainda estamos falando em letramento digital. Uma delícia o convite dos colegas da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) para falar sobre o tema. O papo foi transmitido aqui pelo YouTube.

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Ana Elisa • 2020